
10 maio, 2013
O dia em que Fidel Castro pediu 10 doláres ao presidente Roosevelt

02 abril, 2013
Canción del Sainete Póstumo
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| Rubén Martínez Villena |
10 janeiro, 2013
Os impasses do "lulismo": Entrevista com André Singer
Reproduzo abaixo entrevista do Jornal Brasil de Fato com o cientista político André Singer, autor de "Os sentidos do Lulismo". É um livro fantástico que nos ajuda a entender um bocado da conjuntura atual e para onde caminha a política em nosso país.
Singer: “Não há como pensar num processo de mudança dentro do capitalismo
que não passe pelo consumo” - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
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09 janeiro, 2013
La demonización de Chávez
| Comandante Hugo Chávez |
Fonte: http://www.theclinic.cl/2013/01/06/la-demonizacion-de-chavez/
26 dezembro, 2012
Aos Sonhos - Ademar Bogo
06 dezembro, 2012
Autodefinição por Oscar Niemeyer
03 novembro, 2012
Proclamação do amor antigramática
Dá-me um beijo", ela me disse,
E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala "dá-me" não ama,
Quem ama fala "me dá"
"Dá-me um beijo" é que é correto,
É linguagem de doutor,
Mas "me dá" tem mais afeto,
Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita
Por um velho professor,
Por isso é tão má receita
Pra dizer coisas de amor.
O mestre pune com zero
Quem não diz "amo-te". aposto
Que em casa ele é mais sincero
E diz pra mulher: "te gosto"
Delírio dos olhos meus,
Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por deus
Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa,
Do jeito que estou pedindo:
"Hoje estou menas formosa,
Com licença, vou se indo".
Comete miles de erros,
Mistura tu com você,
E eu proclamarei aos berros:
"Vós és o meu bem querer
07 agosto, 2012
Liberdade
Liberdade
Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.
Marighella
08 junho, 2012
Debate: Que Fazer? Lênin
Debate - Que fazer?, Lenin from Editora Expressão Popular on Vimeo.
16 fevereiro, 2012
Reconhecimento - de Jorge Amado a Carlos Marighella
Reconhecimento
Texto escrito por Jorge Amado, amigo de Marighella e seu companheiro na bancada comunista da Assembléia Nacional Constituinte e na Câmara dos Deputados entre 1946 e 1948.Lido por Fernando Santana em 10 de dezembro de 1979 – Dia Universal dos Direitos do Homem – por ocasião do sepultamento dos restos mortais de Marighella no cemitério das Quintas, em Salvador.
06 fevereiro, 2012
Canção para os Fonemas da Alegria
Peço licença para algumas coisas.
Primeiramente para desfraldar
este canto de amor publicamente.
Sucede que só sei dizer amor
quando reparto o ramo azul de estrelas
que em meu peito floresce de menino.
Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano
a palavra ti-jo-lo, por exemplo,
e poder ver que dentro dela vivem
paredes, aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas
são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis gerando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.
Às vezes nem há casa: é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente, que acaba de nascer:
porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,
e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão
que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena paga por ser homem,
mas o modo de amar – e de ajudar
o mundo a ser melhor. Peço licença
para avisar que, ao gosto de Jesus,
este homem renascido é um homem novo:
ele atravessa os campos espalhando
a boa-nova, e chama os companheiros
a pelejar no limpo, fronte a fronte
contra o bicho de quatrocentos anos,
mas cujo fel espesso não resiste
a quarenta horas de total ternura.
Peço licença para terminar
soletrando a canção de rebeldia
que existe nos fonemas da alegria:
canção de amor geral que eu vi crescer
nos olhos do homem que aprendeu a ler.
16 novembro, 2011
O Mundo está ao Avesso. De Pernas pro Ar.
"Há cento e trinta anos, depois de visitar o País das Maravilhas, Alice entrou num espelho para descobrir o mundo ao avesso. Se Alice renascesse em nossos dias, não precisaria atravessar nenhum espelho: bastaria que chegasse à janela. No fim do milênio, o mundo ao avesso está à vista de todos; o mundo tal qual é, com a esquerda na direita, o umbigo nas costas e a cabeça nos pés."
Dessa maneira Eduardo Galeano abre o seu livro "De Pernas pro Ar - A Escola do Mundo ao Avesso". Daqui a centenas de ano será documento fundamental para compreender o quão é absurdo o mundo em que vivemos hoje.Comenta aí!
24 setembro, 2011
A Atenção Primária Ideal em Cordel
03 agosto, 2010
A Tomada da Reitoria
07 fevereiro, 2010
Rafael Barrett por Eduardo Galeano

27 outubro, 2009
Soledad no Recife

Poderia esperar mais tempo para digerí-lo melhor, mas não. Preferi compartilhar logo este sentimento, mesmo que caótico.
No livro, o pernambucano Urariano Mota remonta os episódios que antecederam a chacina da Chácara de São Bento (PE), mais um dos crimes da ditadura. Com um detalhe, pelas palavras de Alípio Freire na orelha do livro: "Este, porém, se destaca dos demais: os militantes foram assassinados com participação direta de um ex-companheiro que passara para a repressão e se infiltrara no movimento, José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo. Uma das militantes assassinadas, Soledad Barrett Viedma, a Sol, era sua própria mulher - e estava grávida."
Mais do que um relato histórico, esta é uma obra ficcional em que Urariano usa e abusa (no bom sentido) da poesia e nos presenteia com uma verdadeira obra de arte. Arte porque é poesia e arte porque é mais um instrumento que nos faz entender e não nos esquecer este período tão sombrio em nossa história.
É um livro triste, é bem verdade, mas não menos que essa mancha, deixada em nosso país, pela ditadura.
Flávio Aguiar na apresentação do livro diz: "Urariano Mota criou uma ficção tão impressionante que parece de verdade. De certo modo é de verdade, porque mobiliza sentimentos, sensações, percepções, culpas, paixões, ódios que foram (e são) poderosos e comuns a todos os que viveram os anos de chumbo, e a eles sobreviveram. É um romance de amor que se passa em tempos contrários ao amor"
Ousaria complementar dizendo que não mobiliza sentimentos e sensações apenas nos que viveram os anos de chumbo. Nos que não viveram também, mas que têm um mínimo de humanidade e solidariedade.
Sei que a estas alturas, a web deve estar repleta de análises sobre Soledad no Recife. Mas é até bom, pois grande parte foram produzidas por críticos literários de verdade. Minha intenção aqui foi apenas compartilhar, como falei, e recomendar a leitura!
14 outubro, 2009
Carlos Marighella vive!
Rondó da Liberdade
(Carlos Marighella)
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.
Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
20 maio, 2009
Homenagem a Mario Benedetti
Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel
você perguntará por que cantamos
se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha
você perguntará por que cantamos
se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram as árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro
você perguntará por que cantamos
cantamos porque o rio esta soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos porque o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino
cantamos pela infância e porque tudo
e porque algum futuro e porque o povo
cantamos porque os sobreviventes
e nossos mortos querem que cantemos
cantamos porque o grito só não basta
e já não basta o pranto nem a raiva
cantamos porque cremos nessa gente
e porque venceremos a derrota
cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira a primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta
cantamos porque chove sobre o sulco
e somos militantes desta vida
e porque não podemos nem queremos
deixar que a canção se torne cinzas
19 outubro, 2008
O Torcedor, por Eduardo Galeano
Adotei a tática, então, de buscar em referenciais teóricos da esquerda essa justificativa. Seguindo a linha, estou lendo agora "Futebol ao sol e à sombra" de Eduardo Galeano, escritor de "As veias abertas da América Latina", tão caro à minha formação.
Segue abaixo um lindo texto, do supracitado livro, entitulado "O torcedor":
Ondulam as bandeiras, soam as matracas, os foguetes, os tambores, chovem serpentinas e papel picado: a cidade desaparece, a rotina se esquece, só existe o templo. Neste espaço sagrado, a única religião que não tem ateus exibe suas divindades. Embora o torcedor possa contemplar o milagre, mais comodamente, na tela de sua televisão, prefere cumprir a peregrinação até o lugar onde possa ver em carne e osso seus anjos lutando em duelo contra os demônios da rodada.
Aqui o torcedor agita o lenço, engole saliva, engole veneno, come o boné, sussura preces e maldições, e de repente arrebenta a garganta numa ovação e salta feito pulga abraçando o desconhecido que grita gol ao seu lado. Enquanto dura a missa pagã, o torcedor é muitos. Compartilha com milhares de devotos a certeza de que somos os melhores, todos os juízes estão vendidos, todos os rivais são trapaceiros.
É raro o torcedor que diz: “Meu time joga hoje”. Sempre diz: “Nós jogamos hoje”.
Este jogador número doze sabe muito bem que é ele quem sopra os ventos de fervor que empurram a bola quando ela dorme, do mesmo jeito que os outros onze jogadores sabem que jogar sem torcida é como dançar sem música.
Quando termina a partida, o torcedor, que não saiu da arquibancada, celebra sua vitória, que goleada fizemos, que surra a gente deu neles, ou chora sua derrota, nos roubaram outra vez, juiz ladrão. E então o sol vai embora, e o torcedor se vai. Caem as sombras sobre o estádio que se esvazia. Nos degraus de cimento ardem, aqui e ali, algumas fogueiras de fogo fugaz, enquando vão se apagando as luzes e as vozes. O estádio fica sozinho e o torcedor também volta à sua solidão, um eu que foi nós; o torcedor se afasta, se dispersa, se perde, e o domingo é melancólico feito uma quarta-feira de cinzas depois da morte do carnaval.
20 agosto, 2008
A Saudade da Pernambucanidade
Quando meu amigo Gaúcho chegou em Recife depois de um temporada em Uberlândia, terra de Natália, sua namorada, pedi que escrevesse algo para eu publicar no Propalando. Ele demorou um pouco, mas eis aqui o texto.
Teria sido uma experiência mais interessante caso ele tivesse passado alguns anos fora, mas não foi o caso... haha
Pois bem... Segue abaixo o texto. E aproveito para testar uma nova funcionalidade do blog. Para ler o texto completo é preciso clicar no ícone que aparece em formato de positivo ou cruz ou o que quer que seja.
Passar um tempo longe destas terras me deu uma perspectiva diferente. Parece clichê, eu sei. É aquele velho papo de que se sente saudade das coisas quando se está longe. Porém, a saudade desta terra foi algo que ultrapassou o que se pode chamar de saudade.
Não foi apenas a saudade de uma terra, da família e dos amigos, mas sim de todo um conjunto de coisas que faz a Pernambucanidade. O povo, as ruas, as notícias, os problemas, as praias, as músicas, as chuvas inesperadas, os alagamentos, os debates, os revolucionários, os reacionários, enfim, tudo me deu saudade.
Não, não era a saudade de passear na praia de Boa Viagem e ver ostentado num arranha-céu o nome de um dos Coronéis que ainda reinam por estas bandas. Não, não era a saudade de andar por um centro de cultura capitalista (ou seja, cultura de dinheiro internacional) que muitos daqui arvoram ser o maior Shopping da América Latina. Não, não era a saudade de ver cerâmicas ou esculturas de mais uma família mandante. Não, não era saudade de ir pra boates que tocam músicas originadas em Londres ou Nova Iorque funcionando como mais uma correia de transmissão do Imperialismo da língua inglesa sobre nós, pobres latinoamericanos.
Era saudade do Forró! Me roí todinho assistindo pela televisão o São João de todo este Nordeste sabendo que de onde eu estava, a única manifestação parecida que eu vi foi uma dupla sertaneja cantando numa praça, com todo mundo sentadinho tomando seu quentão. Foi saudade desse rala-bucho gostoso, do suor dançante na testa, das letras que exaltam a cultura nordestina e os costumes destes que um dia hão de liderar a revolução brasileira.
Era saudade do nosso calorzinho morno! Era saudade do cuzcuz com salsicha, da macaxeira com charque, do queijo de coalho, da tapioca, de peixe de mar, de camarão, de sururu, de marisco, de inhame com ovo.
Era saudade dos mercados municipais! Acredite quem quiser, mas lá não se bebe em Mercado Municipal! Como assim, cara pálida???? Como não ter saudade de um Mercado da Madalena e seu arrumadinho? Como não ter saudade do Mercado da Boa vista e de sua cerveja gelada acompanhando um pirão?
Era saudade deste povo. Deste povo que se articula, deste povo que sonha, deste povo que luta, deste povo de luta! Deste povo herdeiro da Revolução Pernambucana, do patriotismo primo nestas terras brasileiras. Era saudade até dos reacionários, que, comparados com os de lá, quem diria, são considerados centristas.
Era saudade do nosso bairrismo. Era saudade da Bombonilha! Era saudade das ruas do Recife antigo, que remontam à épocas de velhas e novas dominações imperialistas, mas que aqui e acolá, vemos as marcas da Resistência, de um povo que não se deixa abater. Pixações e grafites, rua da Aurora, rua da Moeda, e tantas outras ruas do centro do meu recife.
Era saudade também dos cheiros de nossa terra. Este cheiro de mar, que só pelo cheiro me enche de Esperança Libertária, como se ele mesmo fosse responsável pelo sonho de liberdade desse povo. Era saudade do cheiro do mangue, que nos faz lembrar dia a dia que os homens e os caranguejos se misturam num ambiente, que um depende do outro pra sobreviver, e que se mantivermos as coisas como estão, um vai acabar virando o outro. Era saudade do cheiro acre da Agamenon Magalhães, uma chaga na face do Recife, ou melhor, vários dentes cariados, fétidos, que deixam à vista de quem quiser ver a imundície que a raça humana produz, e que joga direto no rio, que vai pro mar, que estes mesmos humanos se esbaldam no domingo....
Thiago Henrique (Gaúcho) – http://galinhacabidela.blogspot.com







