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02 abril, 2013

Canción del Sainete Póstumo

Uma sugestão do professor e amigo cubano, Dr. Luís Bello, que me mantém informado acerca das novidades da querida e amada Havana, em Cuba.


Canción del Sainete Póstumo
De Rubén Martínez Villena

Rubén Martínez Villena



Yo moriré prosaicamente de cualquier cosa.
El estomago, el hígado, la garganta, el pulmón.
Y como buen cadáver descenderé a mi fosa envuelto en un sudario santo de
compasión.
Aunque la muerte es algo que diariamente pasa. Un muerto inspira siempre cierta
curiosidad.
Así, llena de extraños abejeará la casa y estudiará mi rostro toda la vencidad.
Luego, será el velorio. Desconocida gente, ante mis familiares inertes de llorar,
con el recelo propio del que sabe que miente recitará las frases del pésame
vulgar.
¿Tal vez una beata?, neblinosa de sueño, mascullará el rosario mirándose a los
pies. Y acaso los más viejos me fruncirán el seño al calcular su turno más próximo
después.
Brotará la hilarante virtud del disparate o la ingeniosa anécdota llena de
perversión. Y las apetecidas tazas de chocolate serán sabrosas pausas en la
conversación.
Los amigos de ahora, para entonces dispersos, reunidos junto al resto de lo que
fue mi yo, constatarán la escena que prevén estos versos y dirán en voz baja, todo
lo presintió.
Y ya en la madrugada, sobre la concurrencia, gravitará el concepto solemne del
jamás, vendrá luego el consuelo de seguir la existencia y vendrá la mañana, pero
tú, no vendrás.
Allá, donde vegete felizmente tu olvido, felicidad bien lejos de la que pudo ser,
bajo tres letras fúnebres, mi nombre y apellidos dentro de un marco negro te harán
palidecer.
Y te dirán ¿Qué tienes? Y tú dirás que nada. Mas te irás a tu alcoba para disimular
me llorarás a solas con la cara en la almohada y esa noche tu esposo no te podrá
besar.



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26 dezembro, 2012

Aos Sonhos - Ademar Bogo


Do livro Cartas de Amor de Ademar Bogo


Cartas de amor Nº 9

AOS SONHOS

É proibido sonhar quando a alma não quer sentir e, nem sequer imaginar os passos que deve dar, teimando em se acomodar pra não ver a flor florir.

Há sonhos que dão errado. Há sonhos de desespero. Há sonhos de pesadelos e, alguns de solidão. Há sonhos egoístas, fatalistas, entreguistas que alimentam a exploração.

Os sonhos verdadeiros são coerentes; espalham em cada passo um bocado de sementes, para fazer o jardim do amanhecer. São os que movem as mãos e os braços, para oferecer o corpo, aos abraços de prazer.

Sonhar que se está sozinho é não ser nada. Os sonhos são a madrugada que espera o dia se fazer. Pesadelo não existe para quem sonha ao lado de alguém que também sonha. Que não se envergonha de sonhar com outro alguém, que busca o mesmo destino, como o menino que chama pela mãe.

Sonhar é não querer ir só para um lugar melhor. É ver em cada olhar um pedaço do lugar onde descansa a esperança. Quem sonha sempre é criança; tem energia, tem alegria, tem confiança...

É duro sonhar perto dos desanimados. É como ver a flor se abrir às margens de um rochedo: o sonho é engolido pela indecisão e o medo. 

06 dezembro, 2012

Autodefinição por Oscar Niemeyer



Autodefinição
Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas.
E prossigo atento e tudo arrisco na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos pelo ar, pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar, encontrará, em todos,
os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada.
                                              Oscar Niemeyer


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03 novembro, 2012

Proclamação do amor antigramática



Por Mário Lago

Dá-me um beijo", ela me disse,
E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala "dá-me" não ama,
Quem ama fala "me dá"
"Dá-me um beijo" é que é correto,
É linguagem de doutor,
Mas "me dá" tem mais afeto,
Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita
Por um velho professor,
Por isso é tão má receita
Pra dizer coisas de amor.
O mestre pune com zero
Quem não diz "amo-te". aposto
Que em casa ele é mais sincero
E diz pra mulher: "te gosto"
Delírio dos olhos meus,
Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por deus
Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa,
Do jeito que estou pedindo:
"Hoje estou menas formosa,
Com licença, vou se indo".
Comete miles de erros,
Mistura tu com você,
E eu proclamarei aos berros:
"Vós és o meu bem querer

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07 agosto, 2012

Liberdade


Liberdade 

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte. 

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.

Marighella


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