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02 junho, 2013

A Lei da Anistia precisa ser revista

Tenho lido notícias animadoras sobre a possível revisão na Lei da Anistia, aprovada em 1979, a ser recomendada pelo relatório final da Comissão Nacional da Verdade. E ao que parece também deverá ser a recomendação de todas as Comissões Estaduais.

Na realidade, há duas possibilidades. Uma delas é a de uma reinterpretação a ser realizada pelo STF. Este é um entendimento de muitos, inclusive de grande parte dos membros da Comissão da Verdade de Pernambuco, por exemplo. Um dos fortes argumentos diz que a Lei da Anistia, como foi interpretada oficialmente, fere uma série de convenções e tratados internacionais de direitos humanos internacionais, dos quais o Brasil já era signatário.

Uma outra possibilidade é a revisão da lei, a partir de um projeto apresentado por Luíza Erundina, mas que já possui um parecer pela rejeição na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Neste momento, mais do que nunca, é hora de aumentar a pressão da sociedade por tais mudanças. As comissões só foram criadas por esta pressão, como o exemplo dos escrachos realizados pelo Levante Popular da Juventude em todo o Brasil.

Não se trata de revanchismo. E isso precisa estar claro. Trata-se de uma questão de direito universal. Crimes de lesa-humanidade, como as torturas, são imprescritíveis. Argentina e Chile estão dando o exemplo. E o Brasil não pode ficar para trás.



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15 fevereiro, 2013

A verdade sobre Rubens Paiva

Comissão Nacional da Verdade declara que ex-deputado foi morto nas dependências do DOI-Codi

Patrícia Benvenuti para o Brasil de Fato

Uma das farsas forjadas por agentes da ditadura civil-militar (1964-1985) acaba de ser descoberta. No início de fevereiro, a Comissão Nacional da Verdade declarou que o ex-deputado Rubens Paiva, morto em 1971, foi assassinado no Destacamento de Operações de Informações -Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).

A investigação do caso ganhou força em novembro do ano passado, quando documentos do regime foram encontrados em Porto Alegre (RS) na residência do coronel do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, ex-comandante do DOI-Codi, morto a tiros enquanto se dirigia para casa.

De acordo com os documentos, Paiva foi preso em sua casa no Rio de Janeiro por uma equipe do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa), em 20 de janeiro de 1971 e, no dia seguinte, entregue ao DOI-Codi. Na folha estão descritos todos os documentos pessoais e pertences que estavam com Paiva no momento de sua detenção. Os registros desmontam a versão oficial da ditadura de que o ex-deputado (cassado pelo Ato Institucional nº 1) teria sido resgatado por “terroristas” em 22 de janeiro, enquanto estava sob custódia do Exército.

Os documentos foram entregues pelo governador gaúcho, Tarso Genro, à Comissão Nacional da Verdade, que os confrontou com informes inéditos encontrados no Arquivo Nacional. O Informe nº 70, de 25 de janeiro de 1971, relata o que ocorreu com Paiva desde o dia 20 do mesmo mês, quando foi preso, até o dia 25. No informe não há registros sobre sua suposta fuga.

Outra informação avaliada pela Comissão foi o depoimento do tenente médico do Exército, Amilcar Lobo, prestado à Polícia Federal em 1986. Ele afirma ter sido chamado em sua casa em uma madrugada de janeiro de 1971 para assistir Rubens Paiva. Levado à cela do ex-deputado, o médico o examinou e constatou que ele estava com “abdômen em tábua, o que em linguagem médica pode caracterizar uma hemorragia abdominal”. Lobo afirma ainda no depoimento que aconselhou a hospitalização do pre-so mas que, no dia seguinte, foi informado de que Paiva havia morrido. O médico garantiu ainda que havia escoriações no corpo de Paiva, resultados de tortura.

A conclusão acerca da morte de Paiva foi apresentada em um texto assinado pelo coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles. Segundo o documento, “o Estado Ditatorial militar, por seus agentes públicos, manipula, impunemente, as situações, então engendradas, para encobrir, no caso, o assassinato de Rubens Beyrodt Paiva consumado no Pelotão de Investigações Criminais – PIC – do DOI/CODI do I Exército”.

Para a professora da Universidade de São Paulo (USP) Vera Paiva, filha de Rubens Paiva, a decisão oficial reconhece o trabalho de investigação feito pela própria família nestes últimos 42 anos.“É uma sensação de alívio para a família”, afirma. “É importante para nós que isso esteja documentado, é uma prova viva de que as informações colhidas ao longo do tempo eram verdadeiras, diferente da versão dos militares”, acrescenta.

06 janeiro, 2013

Os escrachos e a luta por verdade e justiça: o que esperar em 2013?

O Levante Popular da Juventude foi a grande novidade política em 2012. E o ano de 2013 promete!

Por Inês Virginia Prado Soares e Renan Honório Quinalha
para o sítio Correio da Cidadania

Em dezembro de 2012, na 18ª edição do Prêmio Direitos Humanos 2012, promovido pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, o Levante Popular da Juventude foi o escolhido na categoria de Menção Honrosa. Está explicado no site oficial que este “prêmio consiste na mais alta condecoração do governo brasileiro a pessoas físicas ou jurídicas que desenvolvam ações de destaque na área dos Direitos Humanos”.

A homenagem ao Levante foi em razão da série de esculachos (ou escrachos) que esse coletivo organizou contra torturadores e agentes da repressão da ditadura militar (1964-1985) por diversos estados do Brasil. Outros grupos, como a Frente pelo Esculacho Popular, também têm promovido ações dessa natureza. Os participantes desses movimentos se reúnem para denunciar e expor publicamente, sobretudo aos vizinhos, a participação dos torturadores da ditadura militar que não foram processados por seus crimes pelo sistema de justiça e que até hoje estão impunes.

22 dezembro, 2012

Estamos com Sílvio Tendler!

Somente hoje, por absoluta falta de tempo nos últimos dias, pude ler a carta escrita pelo cineasta Sílvio Tendler sobre intimação que recebeu para prestar alguns esclarecimentos a um delegado.

Simples e direta, mas muito tocante, como não poderia ser diferente.

Tive a oportunidade de conhecê-lo em setembro de 2011, quando o trouxemos a Petrolina para o lançamento do seu filme "O Veneno está na Mesa" em atividade realizada pelo Comitê da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida aqui no Vale do São Francisco.

Grande figura, grande militante e grande humanista. Estamos com você, Sílvio!

Lançamento do filme "O Veneno está na Mesa" no STR em Petrolina

Para quem ainda não viu o filme, fica a forte sugestão:
Para conhecer mais sobre a Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida:

Eis a carta:


Carta Aberta a um Delegado de Polícia ou Respondendo à Intimidação por parte do clube militar.

Delegado,


Dois policiais vieram ontem à minha residência entregar intimação para prestar declarações a fim de apurar atos de "Constrangimento ilegal qualificado – Tentativa – Autor", informa o ofício recebido. Meu advogado apurou tratar-se de denúncia ou queixa ou sei lá o quê, por parte do "presidente do clube militar" (em letra minúscula mesmo, de propósito).



Informo que na data da manifestação, 29 de março de 2012, estava recém-operado, infelizmente impedido de participar de ato público contra uma reunião de sediciosos, os quais, contrariando à determinação da Exma. Sra. Presidenta da República, comemoravam o aniversário da tenebrosa ditadura, que torturou, matou, roubou e desapareceu com opositores do regime.



Entre os presentes estava o matador do Grande Herói da Pátria, Capitão Carlos Lamarca, e seu companheiro Zequinha – doentes, esquálidos, sem força, encostados numa árvore. Zéquinha e Lamarca foram fuzilados sem dó, nem piedade, quando a lei e a honra determinam colocá-los numa maca e levá-los para um hospital para prestar os primeiros socorros. Essa gente estava lá, não eu. Eles é que devem ser investigados. Eu farei um filme enaltecendo o Capitão Lamarca e seu bravo companheiro Zequinha.



Tenha certeza, Delegado, de que, enquanto eu tiver forças, me manifestarei contra o arbítrio e a violência das ditaduras e, já que o Sr. está conduzindo o inquérito, procure apurar se o canalha que prendeu, torturou e humilhou minha mãe nas dependências do Doi-Codi participou do "festim diabólico". Isso sim é Constrangimento Ilegal. E já que se trata de assunto de polícia, aproveite para pedir ao "constrangedor ilegal" que ficou com o relógio da minha mãe – ela entrou com o relógio no Doi-Codi e saiu sem ele – que o devolva. Processe-o por "apropriação indébita, seguida de roubo qualificado (foi à mão bem armada)”. É fácil encontrar o meliante. Comece pelo Comandante do quartel da Barão de Mesquita em janeiro de 1971. Já que eles reabriram o assunto, o senhor pode desenterrar o processo. É, Delegado, o que eles fizeram durante a ditadura é mais assunto de polícia do que de política!



Pergunte ao queixoso presidente do clube militar se ele tem alguma pista do paradeiro do Deputado Rubens Paiva. Terá sido crime cometido por algum participante da festa macabra, onde, comenta-se, havia vampiros fantasiados de pijama?



Tudo o que fiz foi um chamamento pelo you tube convidando as pessoas a se manifestarem contra as comemorações do golpe de 64. Se este general entendesse ou respeitasse a lei, não teria promovido a festa e, tendo algo contra mim, deveria tentar me enquadrar por "delito de opinião" mas aí, na fotografia, ele ficaria mais feio do que é, não é mesmo?



Por fim, quero manifestar minha solidariedade aos que protestaram contra o "festim diabólico" e foram tratados de forma truculenta, à base de gás de efeito moral, spray de pimenta e choque elétrico – como nos velhos tempos. Bastaria umas poucas grades para separar os manifestantes do povo, que estavam na rua, aos sediciosos que ingressavam no clube. Há muitos poderia causar a impressão de estar visitando um zoológico e assistindo a um desfile de símios.



Não perca tempo comigo e com a ranhetice de um bando de aposentados cri-cri, aporrinhando a paciência de quem tem mais o que fazer. Pura nostalgia da ditadura, eles se portam como se ainda estivessem em posição de mando.

Atenciosamente,
Silvio Tendler


11 setembro, 2012

O Partido da Terra

Por Juremir Machado da Silva



Eu valorizo muito os produtores rurais. São essenciais para a nossa alimentação. Só não valorizo certos métodos parlamentares. Continuo fixado no livro de Alceu Castilho, "Partido da Terra, Como os Políticos Conquistam o Território Brasileiro". Ele nos informa que, em 2010, o Grupo Friboi, sediado em Goiás, doou mais de R$ 30 milhões para campanhas eleitorais. Financiou 48 candidaturas, com 41 eleições. O Friboi tem espírito cívico. Colocou dinheiro também na campanha de Dilma Rousseff. Por coincidência, dos seus 41 parlamentares eleitos, na primeira prova de fogo, o Código Florestal, 40 votaram pelas mudanças agradáveis aos ruralistas. Apenas o gaúcho Vieira da Cunha não seguiu o rebanho.

Paulo Piau (PMDB), relator da matéria, recebeu R$ 1,25 milhão do Friboi. Mesmo sendo parte interessada, não se declarou impedido. Nem a leitura do Código de Ética pelo colega Chico Alencar (PSol) o abalou: fere o decoro parlamentar "relatar matéria de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento da sua campanha eleitoral". É um mundo particular. Tem fazendeiro político que não disponibiliza água potável para seus escravos. Falando em livros, reli "A Segunda Chance do Brasil, a Caminho do Primeiro Mundo", do ex-embaixador americano no Brasil Lincoln Gordon, o homem que ajudou a preparar o golpe de 1964. Gordon é um conservador nato, um inimigo das esquerdas subversivas, um crítico dos "excessos" da nossa Constituição de 1988. Pois não é que ele nos surpreende.

Assim: "Durante a elaboração da Constituição de 1988, a UDR obteve proteção contra a desapropriação de todas as propriedades produtivas, eliminando assim o conceito de 1964 de ''latifúndios em razão do tamanho'', vastas propriedades mais de seiscentas vezes à área do ''módulo'' de fazenda familiar de cada região". Para o Brasil dar o grande salto, escrevia Gordon, ao final dos anos 1990, só com reforma agrária: "Para participar dos padrões do Primeiro Mundo, é indubitável que eles precisam de acesso fácil à propriedade da terra". Esse Gordon deve ter ficado gagá. Chamava os fazendeiros da UDR de conservadores, diz que tem racismo no Brasil, insinua que o nosso Judiciário não gosta de transparência e indica que reformas, como a agrária, nunca deslancharam por estar o Congresso dominado pelos principais interessados em evitá-la. Nunca se pode confiar num amigo americano.

Leia-se esta declaração altamente subversiva dele: "Depois de restaurado o governo civil, os opositores da reforma agrária mostraram uma força excepcional na Assembleia Constitucional de 1988, eleita democraticamente, assim como entre os congressistas eleitos em 1990 e 1994. Desse modo, reformas que poderiam contribuir para uma melhor distribuição do capital humano e físico, levando por sua vez a uma menor desigualdade de distribuição de renda, continuam a ser parte dos problemas ainda não resolvidos pela sociedade brasileira". FHC foi obrigado a meter o pé no acelerador, mas não bastou. Chega. Autores são muito chatos. Viram tudo do avesso.


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04 setembro, 2012

O Direito de Greve é uma conquista histórica da Classe Trabalhadora.


Nos últimos dias um assunto dividiu espaço nos jornais e na internet com o assunto preferido da mídia burguesa, o julgamento do suposto mensalão.

Estou falando da proposta retomada "nas coxas" que trata do cerceamento do direito de greve dos trabalhadores no Brasil. O projeto é o 710/2011 do senador Aloysio Nunes do PSDB-SP e representa o pensamento do que há de mais atrasado em nosso país. Para se ter só uma idéia, ele define corte de ponto integral desde a deflagração da greve, paralização de no máximo 50% dos trabalhadores mesmo em setores não considerados essenciais e pesadíssimas multas aos sindicatos caso haja definição de ilegalidade por parte da justiça.

Sobre isso queria fazer 3 considerações:

1) Algumas pessoas esquecem, e outras omitem por conveniência, que o direito à greve é uma conquista da classe trabalhadora. E a partir desta conquista muitas outras foram potencializadas e ganharam corpo ao longo da história. Um grande exemplo foram os conjuntos de mobilizações e luta construídas ao longos dos anos que se colocaram pelo fim da ditadura militar no Brasil e culminaram com todo o processo das Diretas JÁ, chegando, finalmente, à grande vitória que foi a implementação da democracia em nosso país.
Então é preciso estar sempre evidente que direito à greve não é uma concessão da burguesia ou do Estado, mas um verdadeiro direito, adquirido à base de muita luta e de muito sangue.

2) Como foi afirmado em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal esta semana, não dá para separar o debate sobre a regulamentação do direito de greve no setor público da definição paralela sobre uma política de reestruturação das carreiras e a definição de uma política de reajuste para as categorias. Não dá. São debates que precisam estar estreitamente relacionados.


3) E por fim, mas não menos importante, é uma consideração sobre o momento em que se decide discutir isso, ainda mais de maneira tão abrupta. Acabamos de passar por um processo em que cerca de 20 categorias estiveram de greve (algumas ainda estão) que representou uma paralisação de mais de 300 mil trabalhadores Brasil à fora. E neste contexto, há toda uma gama de ataques por parte do setores conservadores, como a grande mídia, que tenta criminalizar toda a mobilização diuturnamente.
Junte-se o fato de termos uma correlação de forças extremamente desfavorável no Congresso Nacional, a despeito de se ter um governo que se coloca, em partes, no campo da esquerda.
Em épocas de descenso, ou quando o ascenso ainda não representa maiores mobilizações sociais, simplesmente não dá para ficar mexendo em direitos, pois tais movimentações podem nos levar a uma pior situação. E é isso que parece estar em vista. 

É preciso exigir firme postura contrária a estas movimentações no Senado e na Câmara Federais e exigir do Governo de Dilma que não mexa nos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras de nosso país.

22 junho, 2012

A tentativa de golpe no Paraguai estava prevista


O cenário estava dado. Observem como a pedra estava cantada nesta reportagem do Brasil de Fato de apenas três dias atrás.
Povo na rua contra o golpe!

"Latifundiários brasiguaios querem derrubar Lugo", afirma líder camponês
Segundo Martín Almada, o latifúndio e os grandes produtores de soja brasileiros estão muito interessados em que o presidente Fernando Lugo não termine seu mandato
19/06/2012

Dario Pignotti

“Esta matança de campesinos aconteceu como resultado de um processo de violência policial instigado pelos latifundiários descontentes com o presidente Lugo, ele não é querido pela direita e pelos grandes produtores brasileiros. Latifundiários brasileiros como Tranquilo Favero, o produtor de soja mais rico de Paraguai, estão interessados em desestabilizar o governo, eles querem que Lugo caia” declarou Martín Almada, o mais importante representante do movimento dos direitos humanos paraguaio.
Onze campesinos sem terra foram assassinados na sexta-feira passada em uma fazenda próxima à fronteira com o Brasil, onde está aumentando a tensão em paralelo às reivindicações e ações diretas pela reforma agrária. O enfrentamento entre policiais e lavradores deixou sete agentes mortos, entre eles os chefes do Grupo de Operações Especiais, uma espécie de BOPE paraguaio, só que sua tarefa não é reprimir favelados como no Rio de Janeiro, mas os peões rurais que, depois que Lugo chegou ao governo, em 2008, aumentaram seu nível de organização e decisão de luta, depois de décadas de submissão diante do jugo da ditadura de Alfredo Stroessner.
“Nós sabemos por nossa longa experiência sobre como se descarrega a violência do Estado contra a população, que estes fatos nunca estão isolados de uma intencionalidade política maior. Quais são os fatores em jogo agora? O que está mais evidente é cooptar os sem terra para que deixem de desafiar o poder estabelecido no campo e, além disto, vemos uma manobra para desestabilizar o presidente Lugo. O latifúndio e os grandes produtores de soja brasileiros estão muito interessados em que Lugo não possa chegar a 2013, quando deve acabar seu mandato”, disse Almada por telefone à Carta Maior, desde Assunção.

18 junho, 2012

João Pedro Stedile na Record News


Bela entrevista do João Pedro Stedile na Record News ontem à noite.

Toca em assuntos como a crise do capital, ambientalismo, agronegócio e outros. Muita clareza!




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06 maio, 2012

Conheça e ajude na construção da imprensa popular



Estimados amig@os,

O acesso às informações de qualidade é importante para a nossa vida, uma vez que orientam a nossa prática e contribuem na compreensão da realidade. A classe dominante brasileira transformou os seus veículos de comunicação (televisão, internet, revistas semanais e jornais da chamada grande mídia) em trincheiras de luta ideológica contra a classe trabalhadora e contra o povo brasileiro.

Dentro dessa lógica, a elite usa e abusa da manipulação de informações e de análises distorcidas, para justificar seus falsos valores, modos de vida e formas de dominação. Ao mesmo tempo, procura satanizar, desmoralizar e criminalizar os movimentos sociais e a luta social na defesa dos direitos do povo e da construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

A classe dominante defende os mecanismos da dominação capitalista, a exploração do trabalho, a extração da mais-valia e a acumulação gerada pelo consumismo individualista, mesmo com o suor e lágrimas de milhões de brasileiros que trabalham e ficam com uma parte muito pequena da riqueza gerada com o seu esforço, suor e preocupações cotidianas.

Os movimentos sociais do campo e da cidade constroem desde janeiro de 2003 um conjunto de veículos de comunicação para tentar romper a barreira de hegemonia da classe dominante.

17 abril, 2012

Movimento de jovens realiza ações em memória ao Massacre de Eldorado dos Carajás


À beira do Rio São Francisco em Juazeiro-BA


Praça da Catedral em Petrolina-PE
No dia de hoje, jovens de 10 estados brasileiros realizam ações de protesto pela memória e justiça no aniversário de 16 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, acontecido no dia 17 de abril de 1996 no estado do Pará.  
21 cruzes brancas, em memória aos 21 trabalhadores do campo executados pela Polícia Militar em Eldorado, foram colocadas em pontos estratégicos em cidades nos estados do Piauí, Ceará, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
A ação, organizada pelo Levante Popular da Juventude, visa denunciar a impunidade dos responsáveis políticos e materiais pela chacina e dar visibilidade aos conflitos no campo, fruto da concentração de terra no país. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, os conflitos no campo aumentaram de 2001 a 2010, levando ao assassinato de 360 trabalhadores.
Este é o primeiro ato do Levante Popular da Juventude na região do Vale do São Francisco.

Eldorado dos Carajás
Há 16 anos, 21 trabalhadores do campo foram assassinados na cidade de Eldorado dos Carajás, no Pará. Na tarde do dia 17 de abril de 1996, cerca de 1100 sem-terra interditavam a rodovia PA-150 em marcha rumo à capital para exigir a desapropriação da fazenda Macaxeira, em Curionópolis (PA), ocupada por 1.500 famílias havia 11 dias.

Do gabinete do então governador Almir Gabriel saiu a ordem de “desobstrução da via”, encaminhada pelo secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, e executada com truculência pela polícia militar do estado do Pará, em ação comandada pelo Coronel Mário Colares Pantoja e o Major José Maria Pereira Oliveira.

O uso abusivo e truculento de força policial é comprovado pelos depoimentos, fotos e laudos periciais sobre a tragédia.  A perícia judicial divulgou laudo onde concluiu que os sem-terra foram executados com tiros à queima-roupa, pelas costas ou na cabeça, com golpes de machado e facão no momento em que já estavam rendidos pela polícia.

26 março, 2012

Levante Popular da Juventude contra a Tortura!

E hoje o dia foi de luta!

Jovens sairam às ruas em várias capitais brasileiras para denunciar a impunidade. Denunciar torturadores que, se parecem velhinhos inofensivos hoje, são responsáveis por muito sofrimento e mortes em nosso país. Todo crime de tortura deve ser punido!

Parabéns ao Levante Popular da Juventude.

Segue vídeo da reportagem da TV Record sobre os atos.



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20 março, 2012

Enver Livre!


A escalada de criminalização contra as lutas sociais não para. É o que estão tentando fazer contra o nosso companheiro Enver, em João Pessoa.

Pelo fim da criminalização dos movimentos sociais!

ENVER LIVRE

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19 fevereiro, 2012

Trabalho Escravo em Obras do Shopping Riomar em Recife

João Carlos Paes Mendonça e Eduardo Campos trocam figurinhas
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) flagrou, através de operação iniciada no dia 13/02, a ocorrência de trabalho análogo à escravidão nas obras do Shopping Riomar, em Recife. 

Para se ter noção do terrível quadro, um trecho da notícia publicada no sítio eletrônico do MTE:
Os empregados foram alojados em condições precárias, alguns sem salário por aproximadamente quarenta dias e com Carteira de Trabalho retida na sede da empresa, que fica no Paraná. Não dispunham de água potável para beber, de roupas de cama, além de dormirem sobre colchões sujos e até mofados diretamente sobre o chão. Nenhuma medida de higiene e limpeza foi observada no local, onde a empresa não fornecia sequer papel higiênico. Parte dos trabalhadores está nesta condição desde novembro/2011 e outra desde janeiro deste ano.

As obras assim foram totalmente embargadas.

O Shopping Riomar é um empreendimento do grupo JCPM, comandado por João Carlos Paes Mendonça, poderoso empresário da região, dono de empresas em vários setores, entre eles a comunicação, através do Sistema JC de Comunicação.

O Governador Eduardo Campos em visita às obras no último dia 07 parabenizou o trabalho e destacou a geração de empregos. Trágico, hein?

Espero sinceramente que o todos os envolvidos nesta situação sejam punidos. A começar pelos donos da obra, o grupo JCPM.

À propósito, a empresa que na versão oficial fez a contratação dos trabalhadores, chama-se Mastel Montagem de Estruturas Metálicas Ltda.

Para mais informações, acessem o sítio do MTE


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06 fevereiro, 2012

Canção para os Fonemas da Alegria

Thiago de Mello em aquarela
Escrito no Chile em 1964 por Thiago de Mello e dedicado a Paulo Freire


Peço licença para algumas coisas.
Primeiramente para desfraldar
este canto de amor publicamente.

Sucede que só sei dizer amor

quando reparto o ramo azul de estrelas
que em meu peito floresce de menino.

Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano
a palavra ti-jo-lo, por exemplo,

e poder ver que dentro dela vivem
paredes, aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas

são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis gerando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.

Às vezes nem há casa: é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente, que acaba de nascer:

porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,

e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão

que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena paga por ser homem,
mas o modo de amar – e de ajudar

o mundo a ser melhor. Peço licença
para avisar que, ao gosto de Jesus,
este homem renascido é um homem novo:

ele atravessa os campos espalhando
a boa-nova, e chama os companheiros
a pelejar no limpo, fronte a fronte

contra o bicho de quatrocentos anos,
mas cujo fel espesso não resiste
a quarenta horas de total ternura.

Peço licença para terminar
soletrando a canção de rebeldia
que existe nos fonemas da alegria:

canção de amor geral que eu vi crescer
nos olhos do homem que aprendeu a ler.

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02 fevereiro, 2012

Uma farsa chamada Yoani Sánchez


Parece que, enfim, volto a falar sobre Cuba. Ainda devo por aqui muitos relatos, fotos e vídeos.
Mas o assunto do momento é a blogueira Yoani Sánchez, tão exaltada por veículos da grande mídia nacional.

Para ser sincero, a blogueira nunca me chamou a atenção, pois nunca me pareceu muito sincera. Mas fiquei encucado com o fato de muitos cubanos pouco a valorizarem.

Ao voltar ao Brasil, fui atrás de informações e, aí sim, consegui começar a compreender quem é a tal ativista. Uma história e prática recheadas de mentiras, ganhos financeiros e relações estreitas com diplomatas estadunidenses.

Para conhecer um pouco mais, recomendo três links.
O primeiro é para um artigo do Altamiro Borges sobre o tema: Yoani Sánchez: blogueira ou mercenária?.
O segundo é para o artigo ¿Quién es Yoani Sánchez?, com destaque para todas as referências às provas contra a farsa chamada Yoani Sánchez.
E o terceiro é para um texto escrito pelo Eduardo Guimarães: A Ditabranda de Yoani Sánchez.


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31 janeiro, 2012

EUA pode restringir suco de laranja brasileiro


Nas últimas semanas vários sítios nacionais anunciaram uma possível restrição à entrada do suco de laranja brasileiro em território estadunidense. (Mais informações podem ser vistas neste link e neste também)

O motivo está no agrotóxico, o carbendazim, encontrado no produto importado pela PepsiCo e exportado do Brasil pela Cutrale.

O detalhe é que tal agrotóxico é proibido nos EUA, mas permitido no Brasil. E aí? Como ficamos nós, brasileiras e brasileiros, que consumimos esses venenos sem saber? Na mesma linha, cabe mais uma reflexão: o quão perigoso pode ser o consumo de tal veneno a ponto de se tornar um produto completamente proibido em terras norte-americanas. Ou será que, finalmente, os EUA ingressaram de vez na Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida?

24 janeiro, 2012

Nota da Consulta Popular sobre o despejo da comunidade Pinheirinho

São Paulo, 24 de Janeiro de 2012 

A Consulta Popular vem expor seu apoio às famílias que foram despejadas na comunidade Pinheirinho, município de José dos Campos, São Paulo e repudiar a ação de violência institucional e violações de direitos fundamentais do Governo do Estado de São Paulo e do Judiciário brasileiro.

O despejo das mais de 6 mil pessoas foi iniciado na madrugada de domingo (22), promovido pela polícia do estado de São Paulo e pela guarda civil de São José dos Campos. A decisão judicial de reintegração de posse foi concedida pela 6º Vara Cível de São José dos Campos e reafirmada pelo Superior Tribunal de Justiça. Ao mesmo tempo, havia decisão da Justiça Federal pela suspensão do despejo. As famílias, estabelecidas em um imóvel que não cumpria sua função social, aguardavam o processo de negociação entre prefeitura, estado e União, para regularização do terreno.

Não se trata de um caso isolado, mas certamente emblemático. A ação de despejo de 6 mil pessoas, que viviam em uma comunidade já estabelecida e em processo de negociação, demonstra a intransigências, ignorância e autoritarismo do governo de São Paulo. Essa ação é um triste exemplo do tratamento dado pelo Estado, particularmente pelos grupos e agentes mais conservadores, como o Governador do Estado do São Paulo, Geraldo Alckimin, aos que reivindicam direitos fundamentais, como a moradia. 

Ademais, lamentamos, mais uma vez, a postura do Judiciário, incapaz de efetivar os direitos fundamentais das classes populares e célere e eficiente para defesa da propriedade privada.

Precisamos discutir urgentemente a democratização do Judiciário e a eliminação dos despejos como forma de resolução dos conflitos fundiários, seja no campo ou na cidade. 

A Consulta Popular se põe em lado dos lutadores lutadoras do povo. São as lutas populares, por moradia, democratização da cidade, trabalho digno, reforma agrária, dentre várias outras, que impulsionam as transformações que o Brasil precisa.

 Consulta Popular

22 janeiro, 2012

Massacre em Pinheirinho


É isso que se passa em São Paulo neste momento.

Mesmo com proibição da Justiça Federal, a PM de São Paulo vem promovendo um verdadeiro massacre em Pinheirinho, São Paulo, agora.

Informações dão conta de mortes, agressão à crianças e muita violência. Inclusive com limitações à possibilidade de comunicação e detenção do Suplicy e do Ivan Valente.

Tudo em nome do Naji Nahas.

As Redes Sociais tem tido um papel importante na divulgação do que tem acontecido.

Faz-se necessário que haja imediata intervenção do Governo Federal com vistas a impedir mais mortes e sofrimento!

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26 dezembro, 2011

Jornal Nacional lança mentiras sobre Cuba


Não sei como ainda me surpreendo, mas no Brasil o que os grandes meios de comunicação chamam de Liberdade de Expressão é na verdade Liberdade para Mentir.

A mais recente é a série de mentiras que tentam lançar sobre esta pequena ilha do Caribe, mas que tanto incomoda.

Travestidos de suposto jornalismo, escolhem uma pessoa de acordo com a conveniência da linha editorial do Globo e lançam suas palavras para todo o Brasil como verdades absolutas.

Ora essa, gostaria muito que eles explicassem como Cuba possui hoje a menor taxa de mortalidade infantil do mundo ou como foi declarado o único país do mundo sem desnutrição infantil se verdade fosse a declaração da mulher entrevistada afirmando que as pessoas apenas são atendidas se levarem "presentes" para os profissionais de saúde?

Como se não bastasse, a reportagem tenta dar um carater científico trazendo dados informados pela Universidade de Miami, nos EUA. Só pode ser piada.

Enfim... O lado bom é que esta reportagem motiva a lançar logo os relatos da vivência lá na Ilha.
Enquanto isso, da turma que foi, já há grandes relatos:

Lições cubanas para a saúde do povo brasileiro

 E vários outros relatos no blog do povo baiano: baianosnaluta.blogspot.com



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17 novembro, 2011

Maniqueísmo nosso de cada dia e Belo Monte

Esta semana um vídeo tem provocado mais alvoroço que os vídeos de Jeremias José do Nascimento ou do Pedro que ficou com o chip da menina.

Trata-se de um filme estrelado por atrizes e atores da Rede Globo com ataques à construção da Usina de Belo Monte no Pará.

A minha primeira reação foi pensar: "Peraí! O que aconteceu? Que momento da análise de conjuntura eu perdi?"

Pois indo aos fatos... Desde sempre tive, e ainda mantenho, a postura contrária à construção de Belo Monte. Sou radical nesse posicionamento.
E a rede está cheia de argumentos. Acho que a questão do desenvolvimento precisa ser pensada, mas a obra é muito cara e trará consequencias incalculáveis ao meio ambiente e ao povo indígena da região. Para além disso, há de se refletir sobre quais são os interesses atendidos com a construção dessa usina. Transportar minério? Do povo é que não me parece ser.
Outra coisa: este é um governo de conciliação de classes. Não é o primeiro e nem será o último dos seus projetos que representam os interesses da burguesia nacional e internacional. Logo, não é novidade.