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07 janeiro, 2013

Instituto Millenium: a direita que tem corpo e rosto

América Invertida de Joaquín Torres García (1943)
América Invertida de Joaquín Torres Garcia
Em um momento de preocupação com as notícias sobre a saúde do Comandante Chávez, tenho acompanhado atento a alguns dos passos dados pela direita em nosso país. 
Não falo somente da direita partidária não. Esta, coitadinha, está "perdida" e "mal paga". Sozinha, não faz mal a uma mosca.
Refiro-me à direita que está incrustada na imprensa, na justiça, nas instituições, e por aí vai.
Esta direita é a mesma direita do Paraguai, da Venezuela, de Honduras.
Sempre foi e continua golpista. Só espera oportunidades. É um erro achar que ela está morta.

E particularmente agora tenho tentado entender um dos setores que compõe esta direita. É uma espécie de extrema-direita brasileira. Organiza-se no Instituto Millenium e possui alguns ramos na sociedade. Não tem lá muita força, é meio caricata, mas sua disposição serve de alerta.

Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, é uma das lideranças do Millenium. O mesmo que chamou o Oscar Niemeyer de idiota.
Nestas horas, fica ainda mais claro para mim o erro de alguns setores da esquerda que preferem se debater com outros setores da própria esquerda. E assim esquecem (esquecem?) do que é central, de quem realmente são nossos inimigos. Um erro na análise leva, necessariamente, a um erro na ação. É preciso ter muita clareza sobre quem são estes inimigos nossos para que não desperdicemos energias na luta de classes.

Sugiro os dois links abaixo como introdução para entendermos com quem estamos lidando:

O primeiro é um texto do Alex Solnik, "Vanguarda Popular: a direita sai do armário". Um pequeno dossiê que traz alguns detalhes de quem comanda e o que quer o Instituto Millenium.

O outro chama-se "Saudade de 1964" e traz mais detalhes do Instituto e o que quer esta direita.

Tão importante quanto nos conhecermos é conhecer bem o outro lado. Acertar na análise é fundamental.




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06 janeiro, 2013

Os escrachos e a luta por verdade e justiça: o que esperar em 2013?

O Levante Popular da Juventude foi a grande novidade política em 2012. E o ano de 2013 promete!

Por Inês Virginia Prado Soares e Renan Honório Quinalha
para o sítio Correio da Cidadania

Em dezembro de 2012, na 18ª edição do Prêmio Direitos Humanos 2012, promovido pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, o Levante Popular da Juventude foi o escolhido na categoria de Menção Honrosa. Está explicado no site oficial que este “prêmio consiste na mais alta condecoração do governo brasileiro a pessoas físicas ou jurídicas que desenvolvam ações de destaque na área dos Direitos Humanos”.

A homenagem ao Levante foi em razão da série de esculachos (ou escrachos) que esse coletivo organizou contra torturadores e agentes da repressão da ditadura militar (1964-1985) por diversos estados do Brasil. Outros grupos, como a Frente pelo Esculacho Popular, também têm promovido ações dessa natureza. Os participantes desses movimentos se reúnem para denunciar e expor publicamente, sobretudo aos vizinhos, a participação dos torturadores da ditadura militar que não foram processados por seus crimes pelo sistema de justiça e que até hoje estão impunes.

26 dezembro, 2012

Aos Sonhos - Ademar Bogo


Do livro Cartas de Amor de Ademar Bogo


Cartas de amor Nº 9

AOS SONHOS

É proibido sonhar quando a alma não quer sentir e, nem sequer imaginar os passos que deve dar, teimando em se acomodar pra não ver a flor florir.

Há sonhos que dão errado. Há sonhos de desespero. Há sonhos de pesadelos e, alguns de solidão. Há sonhos egoístas, fatalistas, entreguistas que alimentam a exploração.

Os sonhos verdadeiros são coerentes; espalham em cada passo um bocado de sementes, para fazer o jardim do amanhecer. São os que movem as mãos e os braços, para oferecer o corpo, aos abraços de prazer.

Sonhar que se está sozinho é não ser nada. Os sonhos são a madrugada que espera o dia se fazer. Pesadelo não existe para quem sonha ao lado de alguém que também sonha. Que não se envergonha de sonhar com outro alguém, que busca o mesmo destino, como o menino que chama pela mãe.

Sonhar é não querer ir só para um lugar melhor. É ver em cada olhar um pedaço do lugar onde descansa a esperança. Quem sonha sempre é criança; tem energia, tem alegria, tem confiança...

É duro sonhar perto dos desanimados. É como ver a flor se abrir às margens de um rochedo: o sonho é engolido pela indecisão e o medo. 

24 dezembro, 2012

Por que o Exército dos Estados Unidos continua estudando o Rio São Francisco?

Rio São Francisco

Em meados de julho/agosto deste ano ganhou destaque na mídia o contrato que o Ministério da Integração Nacional havia acertado com o Exército dos EUA para estudos no Rio São Francisco. Fato este também divulgado aqui no blog:


Trata-se de um acordo assinado entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba  (CODEVASF), órgão submetido ao Ministério da Integração Nacional, com o Corpo de Engenheiros do Exército Americano (USACE). A justificativa é de se encontrar formas de tornar o Rio São Francisco navegável. O contrato chega a um valor de R$ 7,8 milhões e foi assinado em dezembro de 2011.

Até aí já sabíamos. A pergunta que fica é: por que o governo brasileiro ainda não tomou nenhuma atitude quanto a isso? Será este Corpo de Engenheiros do Exército Americano tão superior em conhecimento ao que existe no país hoje nas universidades e até mesmo dentro do exército brasileiro?

Frans Post
Pesquisando na internet vejo que o estudo também pretende a "investigação geológica, avaliação geotécnica, análise da qualidade da construção, análise hidrologia e outros estudos."

No mínimo curioso. Ainda mais em uma época em que está cada vez mais reconhecido, e ganhando importância econômica, o potencial em recursos minerais da região.
Sugiro uma olhada no link que segue. Resume um pouco deste potencial mineral:

O USACE foi criado em 1982 com a justifica de servir de apoio em situações de desastre nos Estados Unidos, mas também para apoiar ações militares como no Afeganistão e no Iraque.

Li algo sobre a Comissão de Relações Exteriores da Câmera de Deputados ter pedido esclarecimentos ao Governo Federal, mas parece que até hoje não houve ainda nenhum posicionamento oficial. E precisamos dele. Este não é um questionamento puramente ideológico. Estamos nos referindo essencialmente a uma questão de soberania nacional.


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22 dezembro, 2012

Estamos com Sílvio Tendler!

Somente hoje, por absoluta falta de tempo nos últimos dias, pude ler a carta escrita pelo cineasta Sílvio Tendler sobre intimação que recebeu para prestar alguns esclarecimentos a um delegado.

Simples e direta, mas muito tocante, como não poderia ser diferente.

Tive a oportunidade de conhecê-lo em setembro de 2011, quando o trouxemos a Petrolina para o lançamento do seu filme "O Veneno está na Mesa" em atividade realizada pelo Comitê da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida aqui no Vale do São Francisco.

Grande figura, grande militante e grande humanista. Estamos com você, Sílvio!

Lançamento do filme "O Veneno está na Mesa" no STR em Petrolina

Para quem ainda não viu o filme, fica a forte sugestão:
Para conhecer mais sobre a Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida:

Eis a carta:


Carta Aberta a um Delegado de Polícia ou Respondendo à Intimidação por parte do clube militar.

Delegado,


Dois policiais vieram ontem à minha residência entregar intimação para prestar declarações a fim de apurar atos de "Constrangimento ilegal qualificado – Tentativa – Autor", informa o ofício recebido. Meu advogado apurou tratar-se de denúncia ou queixa ou sei lá o quê, por parte do "presidente do clube militar" (em letra minúscula mesmo, de propósito).



Informo que na data da manifestação, 29 de março de 2012, estava recém-operado, infelizmente impedido de participar de ato público contra uma reunião de sediciosos, os quais, contrariando à determinação da Exma. Sra. Presidenta da República, comemoravam o aniversário da tenebrosa ditadura, que torturou, matou, roubou e desapareceu com opositores do regime.



Entre os presentes estava o matador do Grande Herói da Pátria, Capitão Carlos Lamarca, e seu companheiro Zequinha – doentes, esquálidos, sem força, encostados numa árvore. Zéquinha e Lamarca foram fuzilados sem dó, nem piedade, quando a lei e a honra determinam colocá-los numa maca e levá-los para um hospital para prestar os primeiros socorros. Essa gente estava lá, não eu. Eles é que devem ser investigados. Eu farei um filme enaltecendo o Capitão Lamarca e seu bravo companheiro Zequinha.



Tenha certeza, Delegado, de que, enquanto eu tiver forças, me manifestarei contra o arbítrio e a violência das ditaduras e, já que o Sr. está conduzindo o inquérito, procure apurar se o canalha que prendeu, torturou e humilhou minha mãe nas dependências do Doi-Codi participou do "festim diabólico". Isso sim é Constrangimento Ilegal. E já que se trata de assunto de polícia, aproveite para pedir ao "constrangedor ilegal" que ficou com o relógio da minha mãe – ela entrou com o relógio no Doi-Codi e saiu sem ele – que o devolva. Processe-o por "apropriação indébita, seguida de roubo qualificado (foi à mão bem armada)”. É fácil encontrar o meliante. Comece pelo Comandante do quartel da Barão de Mesquita em janeiro de 1971. Já que eles reabriram o assunto, o senhor pode desenterrar o processo. É, Delegado, o que eles fizeram durante a ditadura é mais assunto de polícia do que de política!



Pergunte ao queixoso presidente do clube militar se ele tem alguma pista do paradeiro do Deputado Rubens Paiva. Terá sido crime cometido por algum participante da festa macabra, onde, comenta-se, havia vampiros fantasiados de pijama?



Tudo o que fiz foi um chamamento pelo you tube convidando as pessoas a se manifestarem contra as comemorações do golpe de 64. Se este general entendesse ou respeitasse a lei, não teria promovido a festa e, tendo algo contra mim, deveria tentar me enquadrar por "delito de opinião" mas aí, na fotografia, ele ficaria mais feio do que é, não é mesmo?



Por fim, quero manifestar minha solidariedade aos que protestaram contra o "festim diabólico" e foram tratados de forma truculenta, à base de gás de efeito moral, spray de pimenta e choque elétrico – como nos velhos tempos. Bastaria umas poucas grades para separar os manifestantes do povo, que estavam na rua, aos sediciosos que ingressavam no clube. Há muitos poderia causar a impressão de estar visitando um zoológico e assistindo a um desfile de símios.



Não perca tempo comigo e com a ranhetice de um bando de aposentados cri-cri, aporrinhando a paciência de quem tem mais o que fazer. Pura nostalgia da ditadura, eles se portam como se ainda estivessem em posição de mando.

Atenciosamente,
Silvio Tendler