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03 novembro, 2012

Proclamação do amor antigramática



Por Mário Lago

Dá-me um beijo", ela me disse,
E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala "dá-me" não ama,
Quem ama fala "me dá"
"Dá-me um beijo" é que é correto,
É linguagem de doutor,
Mas "me dá" tem mais afeto,
Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita
Por um velho professor,
Por isso é tão má receita
Pra dizer coisas de amor.
O mestre pune com zero
Quem não diz "amo-te". aposto
Que em casa ele é mais sincero
E diz pra mulher: "te gosto"
Delírio dos olhos meus,
Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por deus
Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa,
Do jeito que estou pedindo:
"Hoje estou menas formosa,
Com licença, vou se indo".
Comete miles de erros,
Mistura tu com você,
E eu proclamarei aos berros:
"Vós és o meu bem querer

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02 outubro, 2012

Quando caem as máscaras da grande mídia

Navegando por estes grande portais de notícia não é difícil se deparar com tentativas grosseiras de manipulação da realidade.

Há pouco ao acessar o Portal Terra, me deparei com a imagem abaixo:


Obviamente que esta manchete chamou a minha atenção. Baseada em que a Dilma estaria pedindo o fim da produção de armas nucleares no Irã? As provas teriam aparecido nas últimas 24 horas?

Então, ao clicar para assistir o trecho do vídeo destacado pela empresa 'jornalística', me dei conta de que Dilma não falou nada disso. Aliás, passou bem longe.

De uma maneira em geral, ela fez uma pesada crítica à Islamofobia e a qualquer tentativa de "ação militar unilateral contra instalações no Irã".
Mais do que isso, propos uma "zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio."

Ou seja: sua crítica parece estar muito mais direcionada a Israel, e não ao Irã. Sabe-se da existência de armas nucleares por lá há muito mais tempo que as especulações, lançadas por setores ligados a OTAN, sobre a produção de tais armamentos no país presidido por Mahmoud Ahmadinejad.

De fato, a grande mídia, apesar de todo o investimento, não consegue controlar seu ímpeto em misturar jornalismo a mentira e manipulação.


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Declaração de Apoio a Edilson 50.000 nas Eleições em Recife



Há poucos dias das eleições, queria reforçar a declaração de apoio a Edilson 50.000 para a Câmara de Vereadores de Recife. É perceptível a diferença que Edilson tem feito na Campanha.

De uma forma extremamente qualificada, construiu sua campanha pautando sérios problemas da cidade do Recife como a questão da Mobilidade Urbana, da Saúde, da necessidade de um Planejamento Urbano, da Segurança Pública, entre outros temas. Não de uma forma puramente eleitoreira, tão recorrente neste período, mas buscando construir verdadeiros caminhos e diálogos que apontam para possíves soluções.

Como falo no vídeo que gravei em apoio a sua candidatura, Edilson é uma voz necessária no legislativo de Recife. Edilson será o representante de uma gama de excluídas e excluídos, e seu mandato, com toda certeza, servirá como um polo aglutinador de diversas causas populares e democráticas da cidade do Recife.

Sua presença na Casa José Mariano ganha ainda mais importância em um momento em que as grandes construtoras, com seus megaprojetos de espigões, viadutos e concreto, parece serem mais importantes que as necessidades da população recifense. Alguém precisa fazer este enfrentament e Edilson certamente estará encampando esta batalha.

Sem pestanejar repito que Edilson 50.000 é uma voto necessário para o município e fará a diferença.  

Segue abaixo um pequeno vídeo que gravei, a despeito da falta de jeito para câmeras, em apoio à candidatura de Edilson Silva



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Declaração de voto nas eleições em Olinda



Há tempos não via uma candidatura em Olinda que animasse tanto como a candidatura de ALEXANDRE MIRANDA 13013 para a Câmara de Vereadores.

Infelizmente, a cidade foi tomada nos últimos anos por uma "mesmice" política difícil de superar. E na Câmara, a situação não é diferente. De uma maneira em geral, destaca-se uma incapacidade de problematizar a cidade e de se fazer verdadeira representante dos anseios e necessidades da população Olindense.

Mesmo diante de cenário tão adverso, enxergo a candidatura de Alexandre como uma grande novidade na política de Olinda. Com origens de militãncia no Movimento Estudantil, sua campanha seu pautou ao longo das últimas semanas em cima de um debate sincero com a população.

Acredito que o mandato de Alexandre Miranda na Câmara representará uma grande oportunidade para consolidação de uma nova forma de pensar e agir no município.
Em seu bom Plano de Ação Parlamentar, destaco um leque interessante de propostas para a Juventude, Educação, Políticas Culturais e Participação Popular. Some-se a isso a sua proposta de construção de um mandato autônomo, o que parece bem importante na atual conjuntura da cidade.

No dia 07 de outubro, não tenho dúvidas de que, em Olinda, o voto em Alexandre Miranda - 13013 - é a melhor alternativa! 



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11 setembro, 2012

O Partido da Terra

Por Juremir Machado da Silva



Eu valorizo muito os produtores rurais. São essenciais para a nossa alimentação. Só não valorizo certos métodos parlamentares. Continuo fixado no livro de Alceu Castilho, "Partido da Terra, Como os Políticos Conquistam o Território Brasileiro". Ele nos informa que, em 2010, o Grupo Friboi, sediado em Goiás, doou mais de R$ 30 milhões para campanhas eleitorais. Financiou 48 candidaturas, com 41 eleições. O Friboi tem espírito cívico. Colocou dinheiro também na campanha de Dilma Rousseff. Por coincidência, dos seus 41 parlamentares eleitos, na primeira prova de fogo, o Código Florestal, 40 votaram pelas mudanças agradáveis aos ruralistas. Apenas o gaúcho Vieira da Cunha não seguiu o rebanho.

Paulo Piau (PMDB), relator da matéria, recebeu R$ 1,25 milhão do Friboi. Mesmo sendo parte interessada, não se declarou impedido. Nem a leitura do Código de Ética pelo colega Chico Alencar (PSol) o abalou: fere o decoro parlamentar "relatar matéria de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento da sua campanha eleitoral". É um mundo particular. Tem fazendeiro político que não disponibiliza água potável para seus escravos. Falando em livros, reli "A Segunda Chance do Brasil, a Caminho do Primeiro Mundo", do ex-embaixador americano no Brasil Lincoln Gordon, o homem que ajudou a preparar o golpe de 1964. Gordon é um conservador nato, um inimigo das esquerdas subversivas, um crítico dos "excessos" da nossa Constituição de 1988. Pois não é que ele nos surpreende.

Assim: "Durante a elaboração da Constituição de 1988, a UDR obteve proteção contra a desapropriação de todas as propriedades produtivas, eliminando assim o conceito de 1964 de ''latifúndios em razão do tamanho'', vastas propriedades mais de seiscentas vezes à área do ''módulo'' de fazenda familiar de cada região". Para o Brasil dar o grande salto, escrevia Gordon, ao final dos anos 1990, só com reforma agrária: "Para participar dos padrões do Primeiro Mundo, é indubitável que eles precisam de acesso fácil à propriedade da terra". Esse Gordon deve ter ficado gagá. Chamava os fazendeiros da UDR de conservadores, diz que tem racismo no Brasil, insinua que o nosso Judiciário não gosta de transparência e indica que reformas, como a agrária, nunca deslancharam por estar o Congresso dominado pelos principais interessados em evitá-la. Nunca se pode confiar num amigo americano.

Leia-se esta declaração altamente subversiva dele: "Depois de restaurado o governo civil, os opositores da reforma agrária mostraram uma força excepcional na Assembleia Constitucional de 1988, eleita democraticamente, assim como entre os congressistas eleitos em 1990 e 1994. Desse modo, reformas que poderiam contribuir para uma melhor distribuição do capital humano e físico, levando por sua vez a uma menor desigualdade de distribuição de renda, continuam a ser parte dos problemas ainda não resolvidos pela sociedade brasileira". FHC foi obrigado a meter o pé no acelerador, mas não bastou. Chega. Autores são muito chatos. Viram tudo do avesso.


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04 setembro, 2012

O Direito de Greve é uma conquista histórica da Classe Trabalhadora.


Nos últimos dias um assunto dividiu espaço nos jornais e na internet com o assunto preferido da mídia burguesa, o julgamento do suposto mensalão.

Estou falando da proposta retomada "nas coxas" que trata do cerceamento do direito de greve dos trabalhadores no Brasil. O projeto é o 710/2011 do senador Aloysio Nunes do PSDB-SP e representa o pensamento do que há de mais atrasado em nosso país. Para se ter só uma idéia, ele define corte de ponto integral desde a deflagração da greve, paralização de no máximo 50% dos trabalhadores mesmo em setores não considerados essenciais e pesadíssimas multas aos sindicatos caso haja definição de ilegalidade por parte da justiça.

Sobre isso queria fazer 3 considerações:

1) Algumas pessoas esquecem, e outras omitem por conveniência, que o direito à greve é uma conquista da classe trabalhadora. E a partir desta conquista muitas outras foram potencializadas e ganharam corpo ao longo da história. Um grande exemplo foram os conjuntos de mobilizações e luta construídas ao longos dos anos que se colocaram pelo fim da ditadura militar no Brasil e culminaram com todo o processo das Diretas JÁ, chegando, finalmente, à grande vitória que foi a implementação da democracia em nosso país.
Então é preciso estar sempre evidente que direito à greve não é uma concessão da burguesia ou do Estado, mas um verdadeiro direito, adquirido à base de muita luta e de muito sangue.

2) Como foi afirmado em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal esta semana, não dá para separar o debate sobre a regulamentação do direito de greve no setor público da definição paralela sobre uma política de reestruturação das carreiras e a definição de uma política de reajuste para as categorias. Não dá. São debates que precisam estar estreitamente relacionados.


3) E por fim, mas não menos importante, é uma consideração sobre o momento em que se decide discutir isso, ainda mais de maneira tão abrupta. Acabamos de passar por um processo em que cerca de 20 categorias estiveram de greve (algumas ainda estão) que representou uma paralisação de mais de 300 mil trabalhadores Brasil à fora. E neste contexto, há toda uma gama de ataques por parte do setores conservadores, como a grande mídia, que tenta criminalizar toda a mobilização diuturnamente.
Junte-se o fato de termos uma correlação de forças extremamente desfavorável no Congresso Nacional, a despeito de se ter um governo que se coloca, em partes, no campo da esquerda.
Em épocas de descenso, ou quando o ascenso ainda não representa maiores mobilizações sociais, simplesmente não dá para ficar mexendo em direitos, pois tais movimentações podem nos levar a uma pior situação. E é isso que parece estar em vista. 

É preciso exigir firme postura contrária a estas movimentações no Senado e na Câmara Federais e exigir do Governo de Dilma que não mexa nos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras de nosso país.