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24 maio, 2014

Quem vai denunciar o presidente do STF?

Devemos aumentar nossos esforços para por lutar para uma reforma política ampla, de todo sistema político – incluindo o Poder Judiciário – que somente virá com a convocação de uma Assembleia Constituinte 
22/05/2014
Editorial da edição 586 do Brasil de Fato

Nas últimas semanas, a sociedade brasileira assistiu estarrecida às ilegalidades praticadas por ninguém menos do que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), organismo que tem o dever constitucional de zelar pelo cumprimento das leis.
Já não bastassem as claras manifestações do magistrado ao longo do processo AP – 470, sempre atuando de forma discricionária, persecutória, alimentado pela mídia burguesa ávida de punição exemplar, por atos políticos, que são correntes em todas as práticas dos partidos políticos brasileiros: o uso de Caixa 2 das campanhas eleitorais pelo financiamento das empresas.
A Casa Grande precisava dar uma demonstração à senzala de quem ainda manda na fazenda Brasil. Podemos até eleger o capataz, mas jamais questionar a propriedade!
Porém, no final do processo, contrariando os interesses ideológicos de uma direita cada vez mais reacionária a qualquer mudança no país, o colegiado do supremo reverteu a pena e permitiu o seu cumprimento trabalhando fora da cela, durante o dia.
Parece que o senhor Joaquim Barbosa tomou por provocação a decisão da ampla maioria de seus colegas, e resolve se “vingar” abusando de suas prerrogativas. Usando todo tipo de argumentos escusos, manipulando-os, não concedeu esse direito legítimo aos réus. Pior, cancelou até direito já concedido a alguns deles.
A direita exultante segue de forma incessante a estimulá-lo nos meios de comunicação de massa que controla. Não só alimentando seu ego, mas mais do que tudo, parece que a direita brasileira descobriu que como já não pode usar as “fardas” do passado em sua defesa, agora prefere usar a toga! Usa a toga contra dirigentes partidários do governo que está no comando do Executivo federal, como uma forma de vigiá-los. Usa a toga contra as manifestações populares e toda luta social. Usa a toga para proteger a Polícia Militar dos abusos que comete na repressão em todo país.
Agora, a toga chegou ao absurdo de condenar as religiões afrodescendentes, como práticas inaceitáveis, somente porque a Casa Grande não gosta de subversivos terreiros?
Sobre o antidemocrático financiamento das empresas às campanhas políticas, a toga não se manifestou. Os jornais denunciaram que um “colégio eleitoral” formado por 117 empresas, empreiteiras, bancos, SA estrangeiras e agronegócio gastaram nas últimas duas eleições mais de R$ 4 bilhões para eleger seus preferidos nos governos e nos parlamentos.
Sobre propinas e corrupções notórias de empresas estrangeiras na construção de metros etc. nenhuma palavra. Sobre as escandalosas privatizações que doaram o patrimônio de todo o povo a algumas empresas, e que, inclusive, corre ainda nos tribunais a anulação do leilão fraudulento da empresa VALE, nenhuma palavra!
Envergonhado talvez por seu ato-falho descabido, o supremo magistrado correu aos cofres públicos para devolver R$ 3.414, dos R$14 mil reais que recebeu de diárias, para viagem a Europa, quando estava de férias!
Diante de tudo isso, é necessário que as forças populares, os movimentos sociais, a sociedade brasileira se manifeste sobre as ilegalidades cometidas por esse senhor. As medidas que ele tomou cancelando direito de trabalhar, durante a pena, gera jurisprudência que afeta imediatamente mais de 500 mil cidadãos brasileiros que estão cumprindo a pena desta forma. Como também fere toda construção democrática de nosso direito, de que as penas devem ser educativas, recuperadoras do ser humano e não apenas persecutórias.
É necessário denunciar essa clara perseguição que impõe injustiças descabidas aos réus. Por isso, independente de analisar aqui o mérito do processo e a atitude dos réus, mais que tudo devemos manifestar nossa solidariedade a eles, pelas injustiças que estão sofrendo e pelo abuso, que pode afetar a milhares de brasileiros e a toda sociedade.
Esperamos, como jornal que expressa a posição dos movimentos sociais brasileiros, que o pleno do Supremo Tribunal Federal se reúne com o máximo de brevidade para julgar os recursos apresentados pelos advogados das vítimas, e assim, em nome da Constituição Brasileira e da sociedade, recomponha a justiça e o procedimento que ele mesmo determinou, e repare as estripulias do seu presidente.
Sobre a natureza da “toga” brasileira e as inaceitáveis distorções do sistema político brasileiro, devemos aumentar nossos esforços para lutar por uma reforma política ampla, de todo o sistema político – incluindo o Poder Judiciário – que somente virá com a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva – eleita de forma soberana, sem os financiamentos de empresas – para de forma rápida e contundente fazer as mudanças democráticas necessárias a todo o sistema político brasileiro.

25 março, 2014

Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva realiza Curso de Formação no Vale do São Francisco

No último final de semana, mais de 100 militantes de diversas entidades dos sertões da Bahia e Pernambuco participaram do 1º Curso de Formação de Formadores/as do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Realizado no campus Petrolina da Univasf, o evento reuniu pastorais, sindicatos, organizações de esquerda, entidades estudantis e camponesas para a preparação de multiplicadores/as que até setembro atuarão no trabalho de base junto à sociedade local.

Uma retrospectiva da formação do Sistema Político no Brasil abriu as atividades do primeiro dia de discussões. O militante da Consulta Popular Eduardo Mara enfatizou os motivos que impulsionaram a realização do Plebiscito. “Estamos vivendo a possibilidade de mobilizar forças sociais para debater um projeto de nação”, destacou ele. As consequências do atual sistema político no sertão nordestino foram frisadas pelo comunicador Omar Torres (Babá). Na noite cultural, uma jornada socialista homenageou os/as lutadores/as do povo que foram assassinados/as pela Ditadura Militar (1964-1985).


No segundo dia de curso, os/as participantes debateram a sub-representação política das mulheres e da juventude. De acordo com Erika Denise, da Marcha Mundial das Mulheres, a pauta feminista não vai avançar enquanto estiver em vigência o atual sistema político. “Temos que unificar as mulheres da classe trabalhadora para sermos representadas efetivamente nos espaços de poder”, afirma ela. Para que essa inclusão aconteça é preciso enfrentar a imposição do poder econômico no processo eleitoral. Foi o consenso do último espaço de discussão do curso, mediado por Marco Túlio, do Levante Popular da Juventude.

A perspectiva agora é criar comitês municipais, por local de trabalho, moradia e estudo, e construir uma grande votação na semana da pátria deste ano, de 1 a 7 de setembro, em que todas as brasileiras e brasileiros possam opinar se são a favor de uma constituinte exclusiva e soberana que, de uma vez por todas, modifique o sistema político em nosso país e fortaleça a democracia participativa.

Ascom Plebiscito

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28 fevereiro, 2014

De Coronéis, Política e Eleições

Reproduzo abaixo texto do amigo e radialista Omar Torres, o Babá.

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Um velho coronel, conhecida raposa da política, preparando um filho para trilhar os sinuosos 
caminhos da política mineira ensinava: “na política, meu filho, o melhor é não falar. Se falar, não diga; se disser, não escreva; se escrever, não assine, mas se tiver que assinar, assine com a mão errada”. Em outros tempos Antonio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza, que se jactava de ganhar eleição “com o dinheiro numa mão e o chicote na outra”, confidenciou a um privilegiado interlocutor que considerava a confiança como o principal quesito para decidir a escolha do seu candidato. As outras qualidades a gente faz, dizia. Entenda-se aí confiança como subserviência. 

Quando, finalmente, no dia 24 último, o Governador Eduardo Campos anunciou o nome do candidato que escolhera como de seu, depois de desgastante processo nas hostes governistas e a escolha recaiu sobre o pouco provável, tímido e quase desconhecido do povo, secretário Paulo Câmara não pude deixar de sentir que os velhos ensinamentos, que não deveriam ser tomados como lição, tinham sido postos em prática. Os preteridos falaram e disseram mais do que deviam, se esforçaram para ganhar musculatura política no grupo, mas não conseguiram ganhar o quesito confiança que decide a escolha. E quando o ungido proclamou no seu discurso de candidato “ ... Meu líder maior é Eduardo Campos e a tropa está unida”, que seguirá os passos do socialista e “será o primeiro a acordar e o último a dormir” foi a publicação do comprometimento com quem o escolheu e não com quem elege.

Como entristece, em pleno século vinte e hum, assistir discursos de futuro e modernidade apenas como retórica que mascara os velhos ensinamentos e práticas dos séculos dezenove e vinte. Como dói constatar que nós, o povo, não somos a prioridade nem o objetivo das alegrias das grandes vitórias e sim meros espectadores do prazer de quem quer derrotar um partido. Incomoda ser tratado como uma criança que deva abrir mão da mágica que encanta para se embevecer com um mercador de ilusões. Quanto desalento constatar que os velhos coronéis de roupas cáqui, chicote e dinheiro nas mãos, se apresentam agora em talhados ternos Armani, com vistosas gravatas Hermès, usam notebooks, se deslocam em aviões a jato, mas não mudam as práticas nem a forma de bater e nos fazer sofrer.

Omar Torres

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16 fevereiro, 2014

MST: o que o faz necessário

As imbricações entre a questão agrária e a urgência climática aguardam o desassombro de um protagonista, capaz de arrastar tempos históricos distintos.

por: Saul Leblon na Carta Maior 

No percurso dos seus 30 anos, o MST não pode ser acusado de benevolência com qualquer  governo, nem mesmo com o atual, do PT – alvo, não raro, da contundência de seu apoio crítico. 

A manifestação de 15 mil pessoas que o movimento promoveu  esta semana, em Brasília, simultânea ao seu VI Congresso, tampouco  sancionou  a facilidade com que a  emissão conservadora tem usado a rua, desde junho de 2013, para propagandear a sua própria agenda.

Sem aderir aos seguidores de  Pilatos, que lavam as mãos na drenagem dos protestos para as manchetes, o MST reiterou uma avaliação que confere à gestão Dilma o pior índice de assentamento, desde FHC.

Pelas contas do movimento, foram menos de dez mil novas famílias beneficiadas em 2013; pelas do governo, seriam 75 mil nos últimos três anos  –ritmo modulado pela ênfase deliberada na viabilização dos projetos já existentes.

A mesma passeata que cobrou mais ousadia da política agrária  --pauta do encontro desta 5ª feira entre a Presidenta Dilma e lideranças do MST, dirigiu-se em seguida ao prédio do STF, que se viu cercado por  brados e faixas  autoexplicativas.

 ‘Crime é condenar sem prova’, dizia uma delas. Outra: ‘STF, refém da  Globo’.

Assim por diante.

O cerco ao Supremo  mostra como fica difícil manipular quem não quer ser  manipulado.

Mais que isso: quem tem  discernimento  para enxergar na relação de forças existente a centralidade da contradição determinante, sem abafar a urgência dos conflitos  subjacentes.

É essa argúcia de um movimento  que, não por acaso,  enfatiza a educação de seus militantes  --chegou a construiu uma universidade--  que autoriza a aposta na capacidade do MST  reinventar  uma agenda hoje abafada  no debate do desenvolvimento brasileiro: a reforma agrária do século XXI.

Uma pedaço dessa travessia passa, por certo, pelo desafio de reinscrever  a reforma agrária em um modelo de desenvolvimento que pavimente  um futuro capaz de produzir justiça social e preservar os recursos que formam a base da vida na terra.

A escolha do ‘decrescimento’, abraçada, entre outros, pelo neoecologista,  ou econeoliberal, André Lara Resende, está longe de ser a resposta para essa dupla transição (leia o artigo de Vicenç Navarro, ‘Os erros da tese do decrescimento econômico’; nesta pág.). 

O problema não é de contabilidade malthusiana, mas de escolhas políticas que condicionarão  as formas de viver e de produzir  em nosso tempo.

Em síntese:  quem controlará a máquina do desenvolvimento;  quem decidirá como crescer, para quê  e  para quem?

Não se trata apenas de contemplar a emergência de um  desequilíbrio ambiental que frequenta nossas janelas  em marcha batida amedrontadora.

O economista Dan Rodrik , em artigo recente, lembra, ademais, que o avanço tecnológico limitará progressivamente a capacidade da indústria de absorver a mão de obra disponível nas cidades.  "Será impossível, para a próxima geração de países industrializados", diz ele, "deslocar 25% ou  mais de sua força de trabalho para atividades de manufatura, como fizeram as economias do Leste Asiático" (a China em especial)”.

Isso não deprecia a importância da industrialização na matriz do desenvolvimento. 
Ao contrário.

Ela continuará sendo a principal usina irradiadora de produtividade em um sistema econômico sofisticado, como o do Brasil.  Mas retira do setor a competência para gerar os empregos que a sociedade continuará a demandar.

 O conjunto dilata o horizonte daquilo que hoje se convenciona chamar  ‘economia de serviços’.

É nessa transição tecnológica e conceitual que a reforma agrária do século XXI terá que reencontrar sua relevância para não morrer –ou talvez seja mais adequado dizer, renascer— no imaginário da sociedade.

Não se trata de validar miragens de uma idílica volta ao campo. Não há volta na roda da história.

A economia rural também se sofisticou tecnologicamente, em velocidade talvez até superior à industrial , nos últimos 20 anos –período no qual a incorporação agrícola de novas áreas no Brasil cresceu 40% , enquanto  o volume da colheita de grãos saltou 220%.

Mesmo em projetos comerciais de  base orgânica, a atividade rural será cada vez mais poupadora de braços.

O  sentido a recuperar, portanto, não se restringe a esfera produtiva, em que pese a exaltação conservadora  de uma eficiência graneleira nunca escrutinada  em seu custo social e ecológico.

Não por acaso, registre-se, o Brasil figura como a nação mais urbanizada entre os gigantes do planeta, com 85% da população nas cidades.
Trezentos e oitenta anos de escravidão, uma abolição sem partilha da terra e uma ditadura que, em menos de três décadas, promoveu a transição rural/urbana que nações ricas levaram um século para completar, explicam muito do presente  ‘caos urbano’, cujos  propagadores preferem não debater as origens remotas,nem recentes.

Quem o faz, ainda, é o MST.

Sua presença incômoda estende o fio da memória entre  o golpe de 64, ‘contra a agitação no campo’, e a caixa de Pandora que o torniquete  civil-militar  instalou nas periferias conflagradas  das  metrópoles –e mesmo fora delas. 

Cinquenta anos passados, cabe inaugurar um novo mirante para  rastrear o futuro que existe além da dimensão exclusivamente  produtiva da reforma agrária enfatizada nos anos 60.

Que continuará a existir,  ressalte-se.

Sobretudo em projetos cooperativistas, vinculados a compras públicas de alimentos –caso, hoje,  de 30% da merenda escolar e do Programa de Aquisição da Alimentos,  exportado como ferramenta de combate à fome em de fomento à agricultura familiar para a AL e África.

O  chave do novo horizonte  agrário  certamente passa pelo tema ambiental.

O governo ensaiou uma resposta nessa direção com os projetos de assentamentos agroflorestais.

Mas sem atribuir-lhes, ainda,  a centralidade de uma diretriz estratégica.

As imbricações  entre a questão agrária e a urgência climática padecem, ademais, de uma quase uniforme negligência no debate programático da frente progressista que apoia o governo.

Talvez não seja um mero acaso.

Talvez sejam agendas gêmeas, indecifráveis  de fato enquanto mantidas  dissociadas ou  apenas vinculadas de forma ornamental nas prioridades de Estado.

Uma,  remanescente do século 19; a outra, contemporânea da exacerbação capitalista em nossos dias.

Juntas, ao lado de outras, aguardam o desassombro de um protagonista político, capaz de arrastar tempos históricos distintos, dando-lhes a coerência impensável fora de uma agenda transformadora.

Não é pouco, como se vê,  o que desafia o MST a se reinventar, junto com o seu objeto, num momento em que ambos, reconheça-se,  foram desidratados pela universalização das políticas sociais de combate à fome e a miséria, no campo e nas cidades.

Mas é isso que o faz necessário.

E, indispensável, se for capaz de  sacudir  e romper as trancas que isolam o mundo rural –e a natureza--  do debate  sobre o novo ciclo de desenvolvimento do país.

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15 fevereiro, 2014

A necessidade de uma bandeira política de massas

Povo nas ruas
Segue abaixo o editorial do Brasil de Fato desta semana. Ótima leitura.
Abraços
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A imprensa conservadora aproveita para explorar erros primários como a queima do fusquinha de um trabalhador durante uma manifestação ou a trágica morte do cinegrafista da Band para desconstruir no imaginário popular esta importante herança das manifestações de junho, ou seja, a legitimidade das lutas sociais. Pequenos grupos sem programa e bandeira política, com suas ações supostamente radicais, têm atraído a simpatia de jovens que participaram das manifestações de junho.
14/02/2014
Editorial da Edição 572 do Jornal Brasil
A trágica morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade, atingido por um rojão na cabeça enquanto registrava uma manifestação no Rio de Janeiro, suscita uma justa onda de solidariedade em todo o Brasil. Ao mesmo tempo, a tragédia nos possibilita qualificar o debate sobre as tarefas políticas e as formas de luta adequadas para as forças populares nesse momento histórico.
As manifestações de junho, além de possibilitar a elevação da disposição para a luta na sociedade, também abriram espaço para a legitimação da luta popular. Esse patrimônio está em risco. Isto porque ações desastradas e sem o mínimo de preparo têm marcado as manifestações pós-junho de 2013. A banalização da ação direta e o recurso à violência muito mais como um fetiche “radicaloide” do que como necessidade real da luta política está abrindo espaço para estreitar as margens para o livre exercício do direito de manifestação.
A imprensa conservadora aproveita para explorar erros primários como a queima do fusquinha de um trabalhador durante uma manifestação ou a trágica morte do cinegrafista da Band para desconstruir no imaginário popular esta importante herança das manifestações de junho, ou seja, a legitimidade das lutas sociais. Pequenos grupos sem programa e bandeira política, com suas ações supostamente radicais, têm atraído a simpatia de jovens que participaram das manifestações de junho.
Todo povo tem o direito de usar o recurso da violência para a defesa de sua soberania nacional. Nas sociedades democráticas de massas o recurso à violência por parte das forças populares deve ocorrer em última instância e como uma reação às agressões dos inimigos do povo. Cair em provocações das forças de repressão e cultivar a banalização da violência nas manifestações afasta a classe trabalhadora dos atos de rua. A direita se aproveita das ações violentas e desastradas de pequenos grupos para pedir mais repressão.
Aliás, a ação dos Black Bloc’s no Brasil é um fenômeno típico de uma sociedade que está em transição para a retomada das lutas de massas. Há uma crise na esquerda brasileira. E o sintoma disso é que grande parte da juventude ainda não tem referência organizativa.
No momento em que ocorrer a convergência da jovem classe trabalhadora e da juventude com o programa histórico das forças populares, tendo como síntese uma bandeira política de massas, certamente o fenômeno Black Bloc perderá espaço na sociedade.
O desafio fundamental reside na necessidade de um programa e de uma bandeira política de massas que seja polo aglutinador na sociedade. As forças populares precisam urgentemente atravessar esse rubicão. Caso contrário, perderemos o tempo político e uma onda conservadora poderá varrer nosso país. O momento é propício para avançarmos no desafio da bandeira política.
O MST passa pelo seu VI Congresso Nacional e se revigora para seguir em luta. A bandeira política da constituinte para reformar o sistema político tem um enorme potencial diante da crise por que passa sociedade brasileira.

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17 dezembro, 2013

Snowden envia Carta ao Povo Brasileiro

Snowden, disparado, é a personalidade política do ano de 2013. Responsável por concretizar algo que todo mundo imaginava, mas não havia provas, até então. Pelo menos com tantos detalhes.

E renova o flanco na luta anti-imperialista e contra a espionagem.

Vi a carta traduzida na Folha de São Paulo e compartilho abaixo.

CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL
EDWARD SNOWDEN

Snowden


Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria "segurança" --em nome da "segurança" de Dilma, em nome da "segurança" da Petrobras--, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.

15 dezembro, 2013

E, de repente, a Venezuela desaparece da grande mídia!

Boa sacada do Max Altman. Vi no sítio da Revista Fórum (Link) e reproduzo aqui. São boas as notícias e a revolução segue na Venezuela!
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Presidente Nicolás Maduro

Notaram que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa?

Por Max Altman
Crucial vitória de Nicolás Maduro, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e da Revolução Socialista Bolivariana; contundente derrota de Henrique Capriles, da MUD e dos setores golpistas de oposição; agora a atacar e resolver os problemas da economia e avançar nas conquistas sociais.
“Dedicaram-se, durante todo o ano de 2013 e, principalmente, após a morte de Chávez, a sabotar a economia, a sabotar o sistema elétrico, à desestabilização, ao caos, à guerra psicológica. Trataram de converter eleições municipais em plebiscito. E o que ocorreu: o triunfo da Revolução Socialista Bolivariana derrotou os planos golpistas da direita.”  Nicolás Maduro
Notaram, meus caros amigos e amigas, que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa quando antes do 8 de dezembro enchiam suas páginas vaticinando a ‘débâcle’ do governo Maduro pelos inúmeros enviados especiais e correspondentes?
Disseram que era um plebiscito e foram com tudo. Os oligarcas são sempre insolentes. Ainda mais se são apoiados pelos Estados Unidos. Contavam que o empurrão definitivo para derrocar Maduro viria com o 8 de dezembro. Estavam cuidando dessa tarefa fazia meses. Remarcação de preços de todos os produtos muito acima da inflação, provocando desespero na população, desabastecimento induzido, sabotagem elétrica, açambarcamento, insegurança. (E mais erros do próprio governo, que as manchetes gritantes dos jornais, rádios e televisão punham em evidência). O mesmo cenário que se havia preparado para Salvador Allende antes do golpe de 1973. Desde os Estados Unidos, Roger Noriega escreveu e descreveu a tese do colapso total, que seria arrematado oportunamente, quando a situação ficasse insustentável, pelo exército norte-americano. Que a Venezuela tem demasiado petróleo. Parte importante da oposição estava de pleno acordo com esse roteiro. Por fim, o chavismo aniquilado. Fim do pesadelo. Malditos vermelhos.

09 dezembro, 2013

Uma homenagem a Ricardo Brindeiro

Ricardo Brindeiro
Na semana passada fui surpreendido com a notícia da morte do companheiro Ricardo Brindeiro. Com pouco contato, principalmente desde que vim morar em Petrolina, Ricardo é daqueles que admiro à distância. Grande lutador de nosso povo. Deixo abaixo um texto do Alder Júlio e um grande abraço para Ana Gusmão, Matheus, familiares e amigxs.


RICARDO BRINDEIRO, UM MILITANTE AMOROSO
 
Alder Júlio Ferreira Calado
 
 
Ricardo Brindeiro segue vivo entre nós, após sua grande viagem à Casa do Pai/Mãe, em cujos braços é acolhido, e com a festiva recepção de tanta gente querida que nos precedeu: Dom Oscar Romero, Dom Helder (que lhe ministrou as primeiras ordens menores), Margarida Maria Alves, Pe. José Comblin, Éliton Santana e tantas outras figuras venerandas.
 
Partiu, em sua grande viagem, aos seus densamente bem vividos 61 anos, ele que nasceu, em Recife, no dia 15 de agosto de 1952, numa família católica de classe média. Desde cedo, já revelava sinais de seu apreço à liberdade e de seu amor às pessoas, em especial aos pobres.
 
Em tenra juventude, experimentou um duplo apelo: à militância e à mística. Uma militância multiforme: nas pastorais sociais, no movimento estudantil, na política partidária, nos movimentos populares, nas organizações de base de nossa sociedade. De início, engajou-se em grupos de jovens da Igreja Católica. Depois, na militância estudantil universitária, em seu curso de Arquitetura, na UFPE, apoiando ou participando de campanhas de chapas do DCE.
 
Quanto ao apelo à mística, antes mesmo de sua tocante experiência de estudos no ITER (Instituto de Teologia do Recife), passa por uma repentina aventura: sem nada dizer em casa, põe-se a viajar mundo afora, indo parar em Óbidos – PA, em busca de uma experiência num Seminário franciscano. Durou pouco tempo. Mais tarde, quis vivenciar uma experiência ecumênica, tendo sido acolhido pelo conhecido monge Michel Bergman e demais irmãos na Comunidade de Taizé, em Alagoinhas, na Bahia. Tempo de fecundo encontro com Deus, nos irmãos. Aí também chegou a contribuir como arquiteto, projetando a capela desta Comunidade.
 
Foi, porém, no Instituto de Teologia do Recife (ITER), onde vem a ter o auge de sua experiência de formação teológica, tendo sido inspirado por figuras docentes como Humberto Plummen, René Guerre, Ivone Gebara, Sebastião Armando, Eduardo Hoornaert, Marcelo Augusto, além de tantos colegas de ITER espalhados por esse Nordeste, inclusive aqui em João Pessoa, a exemplo do Pe. Antônio Paulo Cabral de Melo.
 
Estudando no ITER, não abriu mão de morar e trabalhar intensamente com a Comunidade da Favela Brasília Teimosa, onde, pela imposição das mãos de Dom Helder, chegou a receber as Ordens Menores, tendo depois decidido seguir outras trilhas de militância junto ao povo dos pobres.
 
Vivia-se, no Brasil, um período de intensa efervescência dos movimentos populares, na qual a chamada “Igreja na Base” tinha um lugar de destaque, seja pela densa atuação das CEBs, das pastorais sociais (CIMI, Pastoral da Terra, Pastoral Operária, Pastoral da Juventude do Meio Popular e outras), do CEBI. Duas participações de Ricardo aí merecem destaque: sua contribuição, na área musical, no processo de elaboração do Ofício das Comunidades e de outros cantos litúrgicos, com Pe. Reginaldo Veloso e o o pessoal do Morro da Conceição. Também, ele conta com entusiasmo sua participação ao lado de várias figuras que atuaram na famosa Missa dos Quilombos, em começos dos anos 80.
 

Capriles sofre derrota em "plebiscito" na Venezuela

Latuff sobre a função social de Capriles na Venezuela
Venezuela: la derrota del “plebiscito” de Capriles

Por Juan Manuel Karg
Licenciado en Ciencia Política UBA
Investigador del Centro Cultural de la Cooperación

Los resultados de la elección del pasado domingo en Venezuela significaron un nuevo triunfo para el Partido Socialista Unido de Venezuela y sus aliados. Estos conquistaron, según el primer parte informativo del Consejo Nacional Electoral, 5.111.336 de votos, es decir el 49,24% de los sufragios emitidos, frente a los 4.435. 097 de votos (42,72%) de la Mesa de Unidad Democrática (MUD).

Si bien la oposición efectivamente ganó en importantes distritos (Alcaldía Mayor de Caracas, Maracaibo, Barinas, entre otras), el primer análisis que debe hacerse es que los resultados del domingo han sido una dura derrota para el ex candidato presidencial Henrique Capriles, quien a lo largo de estos últimos meses intentó “centralizar” una elección de por sí descentralizada -ya que se votaban alcaldías y concejales-. La diferencia de “votos globales” de acuerdo al primer parte del CNE -676.239 votos a favor del PSUV y sus aliados- ha dañado el intento de Capriles, quien se había propuesto ganar en la sumatoria de votos a nivel país, para demostrar de esta forma que el chavismo había perdido la mayoría del apoyo popular (algo que, finalmente, no sucedió).

El PSUV ganó importantes alcaldías, como Municipio Libertador (Caracas), con el 54% de los votos; Bolívar (Anzóategui), 52%; San Fernando (Apure), 65%; Girardot (Aragua), 51%; Heres (Bolívar), 47%; Ezequiel Zamora (Cojedes), 54%; Tucupita (Delta Amacuro), 54%; Guaicaipuro (Miranda), 52%; Guanare (Portuguesa), 70%; Sucre (Sucre), 54%; Trujillo (Trujillo), 53%; San Felipe (Yaracuy), 49%; y Vargas (Vargas), 54%. En todos estos casos, como se ve por los porcentajes alcanzados, los triunfos han sido inobjetables.

¿Cómo se explican estas cifras en un país que viene sufriendo diversos intentos de desestabilización, tanto a nivel económico como político? El PSUV y sus aliados llegaron a esta contienda con un elemento favorable, que indudablemente incidió en el global de votos: la “ofensiva económica” que el gobierno de Maduro decidió implementar con el combate a la especulación y el posterior fomento de medidas para la baja de precios en diversas tiendas. Estas medidas, a contrapelo de lo que informaron algunos medios de comunicación hegemónicos de nuestro continente, fueron vistas con buenos ojos por las mayorías populares venezolanas.

Por otro lado la derrota en Barinas, capital del Estado natal de Hugo Chávez, ha sido probablemente la peor noticia de la elección para el chavismo. Allí, disputas internas dentro del PSUV fomentaron la aparición de dos candidaturas: ambas fueron derrotadas por el candidato de la MUD, José Luis Machín, quien se impuso con el 50%. Durante su discurso en la noche del domingo, el propio Nicolás Maduro hizo referencia a este caso, al afirmar que era necesaria la “unidad” en las filas de la Revolución Bolivariana, para evitar que casos como éste se repliquen.

Vista como una totalidad, como planteaba la propia MUD antes de la misma, la elección del pasado domingo es la segunda victoria del PSUV luego de la muerte de su fundador, Hugo Chávez, y la cuarta derrota consecutiva del armado electoral que encabeza Henrique Capriles en sólo 14 meses. La MUD no ha podido vencer en su propio terreno: el de intentar “plebiscitar” la elección. Capriles deberá afrontar ahora una situación de inestabilidad como conductor de este armado, al emerger nuevamente en la "arena política" personajes que sí han vencido el pasado domingo (Ledezma, por ejemplo). Se abrirá, así, una etapa de convulsiones dentro de la propia MUD, entre perdedores y ganadores de esta elección

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06 dezembro, 2013

Nelson Mandela e Fidel Castro

Do sítio OperaMundi

Foram quase três décadas na prisão. Quando Nelson Mandela, enfim, conseguiu sua liberdade, uma das prioridades foi visitar outro revolucionário, só que da América Latina: Fidel Castro.  O encontro aconteceu em Havana, em 1991, quando o líder sul-africano fez questão de ressaltar sua admiração e respeito pelo cubano.

“Você ainda não veio para o nosso país. Quando virá?”, perguntou Madiba, em tom de brincadeira.

Agência Efe

Fidel e Mandela em 1998, na África do Sul


Quando Mandela desembarcou em Cuba nessa ocasião, os cubanos saíram às ruas, maciçamente, para receber o líder sul-africano. Alías, Madiba recebeu das mãos de Fidel o título de honra do estado cubano, que é considerada uma das maiores condecorações do país. "Se você perguntar para qualquer cubano quem Mandela é, ele provavelmente vai te colocar ele como um dos mais importantes homens da história da humanidade."


Em Cuba, se comemora no dia 18 de julho o "Dia Internacional de Nelson Mandela". A revolução cubana em 1959, dizem historiadores, foi inspiração para o jovem Mandela. Mais tarde, em 1970, quando o exército cubano treinou e deu suporte às Forças Armadas Populares de Libertação de Angola durante a guerra civil local, os revolucionários se aproximaram, estreitando laços - de admiração sobretudo -, que até o último dia do líder africano permaneceram intactos.

Em 1994, como primeiro presidente negro da história da África do Sul, Madiba recebeu Fidel e retribiu as gentilezas dos anos anteriores. "O que Fidel Castro fez por nós é difícil descrever em palavras", disse Mandela na cerimônia de posse. "Na luta contra o Apartheid, ele não hesitou em nos dar toda a ajuda necessária. Agora que estamos livres, temos muitos médicos cubanos trabalhando aqui no nosso país", disse, agora emocionado pela ajuda cubana.


Logo após a posse de Mandela em 1994, Cuba e África do Sul assinaram o primeiro tratado entre os países, estabelecendo formais relações diplomáticas. 




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30 novembro, 2013

O que realmente interessa saber sobre o Colesterol

Achei que nunca iria gostar de um texto do Drauzio Varella. Eu me enganei. 

Sugiro a leitura do artigo abaixo sobre um tema que deve vir cada vez mais à tona com outros problemas e medicamentos.

Boa leitura!


A agonia do colesterol

Nunca me convenci de que essa obsessão para abaixar o colesterol às custas de remédio aumentasse a longevidade de pessoas saudáveis.

Essa crença --que fez das estatinas o maior sucesso comercial da história da medicina-- tomou conta da cardiologia a partir de dois estudos observacionais: Seven Cities e Framingham, iniciados nos anos 1950.

Considerados tendenciosos por vários especialistas, o Seven Cities pretendeu demonstrar que os ataques cardíacos estariam ligados ao consumo de gordura animal, enquanto o Framingham concluiu que eles guardariam relação direta com o colesterol.

A partir dos anos 1980, o aparecimento das estatinas (drogas que reduzem os níveis de colesterol) abafou as vozes discordantes, e a classe médica foi tomada por um furor anticolesterol que contagiou a população. Hoje, todos se preocupam com os alimentos gordurosos e tratam com intimidade o "bom" (HDL) e o "mau" colesterol (LDL).

As diretrizes americanas publicadas em 2001 recomendavam manter o LDL abaixo de cem a qualquer preço. Ainda que fosse preciso quadruplicar a dose de estatina ou combiná-la com outras drogas, sem nenhuma evidência científica que justificasse tal conduta.

Apenas nos Estados Unidos, esse alvo absolutamente arbitrário fez o número de usuários de estatinas saltar de 13 milhões para 36 milhões. Nenhum estudo posterior, patrocinado ou não pela indústria, conseguiu demonstrar que essa estratégia fez cair a mortalidade por doença cardiovascular.

Cardiologistas radicais foram mais longe: o LDL deveria ser mantido abaixo de 70, alvo inacessível a mortais como você e eu. Seríamos tantos os candidatos ao tratamento, que sairia mais barato acrescentar estatina ao suprimento de água domiciliar, conforme sugeriu um eminente professor americano.

Pois bem. Depois de cinco anos de análises dos estudos mais recentes, a American Heart Association e a American College of Cardiology, entidades sem fins lucrativos, mas que recebem auxílios generosos da indústria farmacêutica, atualizaram as diretrizes de 2001.

Pasme, leitor de inteligência mediana como eu. Segundo elas, os níveis de colesterol não interessam mais.

Portanto, se seu LDL é alto não fique aflito para reduzi-lo: o risco de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral não será modificado. Em português mais claro, esqueça tudo o que foi dito nos últimos 30 anos.

A indústria não sofrerá prejuízos, no entanto: as estatinas devem até ampliar sua participação no mercado. Agora serão prescritas para a multidão daqueles com mais de 7,5% de chance de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral nos dez anos seguintes, risco calculado a partir de uma fórmula nova que já recebe críticas dos especialistas.

Se reduzir os níveis de colesterol não confere proteção, por que insistir nas estatinas? Porque elas têm ações anti-inflamatórias e estabilizadoras das placas de aterosclerose, que podem dificultar o desprendimento de coágulos capazes de obstruir artérias menores.

O argumento é consistente, mas qual o custo-benefício?

Recém-publicado no "British Medical Journal", um artigo baseado nos mesmos estudos avaliados pelas diretrizes mostrou que naqueles com menos de 20% de risco em dez anos as estatinas não reduzem o número de mortes nem de eventos mais graves. Nesse grupo seria necessário tratar 140 pessoas para evitar um caso de infarto do miocárdio ou de derrame cerebral não fatais.

Ou seja, 139 tomarão inutilmente medicamentos caros que em até 20% dos casos podem provocar dores musculares, problemas gastrointestinais, distúrbios de sono e de memória e disfunção erétil.

A indicação de estatina no diabetes e para quem já sofreu ataque cardíaco, por enquanto, resiste às críticas.

Se você, leitor com boa saúde, toma remédio para o colesterol, converse com seu médico, mas esteja certo de que ele conhece a literatura e leu com espírito crítico as 32 páginas das novas diretrizes citadas nesta coluna.

Preste atenção: mais de 80% dos ataques cardíacos ocorrem por conta do cigarro, vida sedentária, obesidade, pressão alta e diabetes. Imaginar ser possível evitá-los sentado na poltrona, às custas de uma pílula para abaixar o colesterol, é pensamento mágico.

26 novembro, 2013

Honduras y un fraude que exige urgente respuesta

por Carlos Aznárez



Era mundialmente conocido que durante los últimos meses, todas las encuestas, inclusive las de la oposición mostraban que el triunfo de la candidata del Partido Libre era irreversible. Xiomara Castro, acompañada por verdaderas movilizaciones multitudinarias había recorrido el país y a su paso no sólo recibía el júbilo clamoroso de sus seguidores, sino todo tipo de improperios por parte de la derecha oficialista. Estos últimos gestos respondían, sin duda, a la contundencia del apoyo popular para el Partido Libre, que prácticamente aseguraban su triunfo.

Sin embargo, las previsiones de fraude no dejaban de ser una amenaza. Lo recordaban ayer mismo varios de los observadores internacionales que con el correr de las horas y al ver que el Tribunal Supremo Electoral (TSE) ocultaba miles de actas y consagraban "manu militari" el triunfo al candidato oligárquico Juan Orlando Hernández,  se desesperaban para investigar en qué "Tríangulo de las Bermudas" habían desaparecido esas decenas de miles de votos para Xiomara que cada uno de los fiscales de Libre habían visto en el conteo urna por urna. Incluso, otro de los candidatos, Salvador Nasrala, del Partido Anti-Corrupción, ya ha anunciado su desconocimiento de los resultados emitidos por el TSE, debido a lo descarado del fraude existente.

22 novembro, 2013

Eleições decisivas para a resistência popular Hondurenha

Compartilho abaixo texto do companheiro Ronaldo T Pagotto sobre a importante eleição presidencial em Honduras neste fim de semana.



Passados 4 anos do golpe militar que derrubou Mel Zelaya, após uma longa marcha de resistência, a luta popular participará ativamente das eleições gerais no próximo dia 24 de novembro. Alguns desafios e perspectivas da luta em Honduras.

O dia quase amanhecendo, domingo, pouco antes das 5 da manhã, foi possível ouvir uma rajada de tiros atingir algo de metal. Em seguida vozes, passos apressados, uma porta arrombada e o casal preso, no quarto do lado a filha. Zelaya, de pijama, assiste sua filha ser conduzida em trajes íntimos. Humilhado.
O plano original sofre um ajuste na última hora, resultado de um impasse nas FFAA. De um lado os militares com a ordem de execução, do outro, soldados que não concordaram com a missão de matar um presidente legitimamente eleito. O impasse foi resolvido com a alternativa de converter aquela execução em um sequestro, conduzido a Base Militar de Palmerola, posteriormente seguido do envio do presidente – ainda de pijamas – para a Costa Rica. Sua família fica em Honduras, e são as primeiras vozes de resistência.
Na mesma manhã a Ministra das Relações Exteriores, Patrícia Rodas, juntamente com o Embaixador Cubano, foram presos e maltratados. O embaixador da Venezuela também foi agredido. A internet foi suspensa, o canal de TV estatal sai do ar e garantiram o clima de golpe.
A base militar de Palmerola, cedida aos USA desde o final da década de 1970, preparou e deu apoio logístico ao voo do presidente. O embaixador dos USA, Hugo Llorens, conhecido da América Latina (fora sequestrado de Cuba ainda menino na Operação Peter Pan, e lá se formou como um Anti-Cuba ferrenho e ligado a CIA) estivera mediando diálogos – supostamente para negociar com os polos da tensão - e paralelamente articulava a derrubada de Zelaya. A ele não interessava a aproximação de Honduras com Cuba e Venezuela, nem via com bons olhos o crescimento da mobilização popular naquele que sempre fora uma área especial de influência gringa.

16 novembro, 2013

Defender Joaquim Barbosa: ingenuidade ou má fé mesmo

Foto do Portali9
Aécio Neves e Antônio Anastasia (PSDB) premiando o amigo Joaquim Barbosa.

Que Joaquim Barbosa é arrogante e prepotente ninguém pode negar,certo? Mas o que tem chamado a atenção, desde que pipocou com força questões relacionadas ao julgamento da AP 470, o do suposto mensalão, é a forçosa tentativa de transformá-lo num herói orquestrada e tocada pela grande imprensa e que se reflete em um ou outro por aí.

Grande exemplo disto que falei foi a campanha extensa para popularizar a máscara do Joaquim Barbosa durante o carnaval de 2013. E a verdade é que foi um verdadeiro FRACASSO. Rodei por todo o carnaval de Olinda e Recife em alguns dias e não vi NENHUMA máscara dele. Amigos daqui e de outros estados, como o Rio de Janeiro, fizeram referências parecidas.

Até publiquei aqui no blog, no dia 11/02/13, um comentário especificamente sobre isso que pode ser acessado no link que segue:

A "novidade" agora é toda a notoriedade que buscou conquistar com a prisão de alguns dos envolvidos no julgamento. Não tenho dúvidas de que a história mostrará todos os interesses envolvidos neste processo.

Joaquim Barbosa sendo carinhoso com algum jornalista
O fato é que denúncias recaem sobre este senhor, mas a grande mídia e representantes da direita brasileira fingem ignorar e continuam a propalar a imagem do 'herói". Para mim cabem duas possibilidades nesta situação:

Ou estamos falando de ingenuidade verdadeira ou de má fé. Não há como ser diferente.

Transcrevo abaixo uma postagem de Stanley Burburinho sobre o Joaquim Barbosa:




2 - No mesmo dia 10/05/2012, Joaquim Barbosa abre em Miami a empresa Assas JB Corp, que ele se declarou presidente, o que é proibido por lei, e deu o endereço de contato o endereço do apartamento funcional do STF que nóspagamos. Isto é, ele terá lucro com a empresa de Miami usando recursos da União sem pagar por isso. Veja aqui o documento oficial do Estado da Flórida sobre a empresa: http://search.sunbiz.org/Inquiry/CorporationSearch/SearchResultDetail/EntityName/domp-p12000044121-42bd6d68-4e0e-4a63-978a-29d568f74b86/Assas%20JB%20Corp/Page1

3 - No dia 14/05/2012, 4 dias depois de Joaquim Barbosa anunciar o relatório do "mensalão" e abrir a empresa, ele compra um apartamento em Miami avaliado em R$ 1 milhão, mas segundo o cartório de lá, ele só pagou US$10(dez dólares). Veja o documento oficila do cartório de Miami- http://ocafezinho.com/wp-content/uploads/2013/07/ScreenHunter_2132-Jul.-22-16.37.jpg

4 - Joaquim Barbosa disse na imprensa que não dará explicações sobre a tal empresa em Miami nem sobre o apartamento nem como enviou os US$ para pagar o apartamento.


Mas será que veremos isso na grande mídia ou nos perfis da direita em nosso país? Dificilmente.

Cabe ao PT, a despeito da correlação de forças ainda díficil em nossa sociedade e dentro do governo, saber encarar esta grande mídia. E não é um discurso esquerdista. Basta escutar pessoas como o Franklin Martins e pôr limite em gente como Paulo Bernardo. Não é tarefa simples. O que não dá é para continuar desta maneira.

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