O PROPALANDO está em manutenção

07 outubro, 2007

Estava eu me preparando para dormir, quando meu primo Daniel me chama no MSN:

Daniel diz:
Ari.. tais online?
Daniel diz:
Ta online?
Arizinho diz:
oi daniel
Daniel diz:
Opa Ari...
Daniel diz:
tudo blz?
Arizinho diz:
tudo indo! tempo muito pesado na faculdade
Daniel diz:
Ae... tive lendo seu blog.... e vi que agora vc ta curtindo mta musica de qualidade...
Daniel diz:
E vi um video no Youtube que se "encaixam" muito bem a esse estilo...

De cara já desconfiei que seria alguma brincadeira... pois bem, segui em frente.
Quando abro o sitio do youtube, o título do video? Funk para Intelectuais (???)

E ai está o vídeo. Não sei o porquê direito, mas achei a cara de Rubens.

Abraços!



01 outubro, 2007

"Créditos de Carbono" ou "Como Mercantilizar Tudo"

Algo me chamou a atenção na última semana. Pra falar a verdade tem um bocado de coisa chamando minha atenção ultimamente. Ainda bem. Sinal que estou distante de me acomodar... mas vamos ao objetivo da postagem.

Estou falando dos danados dos "Créditos de Carbono". Bem grosseiramente falando, é o seguinte:
Os países desenvolvidos, depois do Protocolo de Kyoto, têm um limite "X" para emissão de gases poluentes.
Daí, inventaram uma unidade. O Crédito de Carbono, equivalente a uma tonelada de dióxido de carbono. Então, os países ou indústrias que não atingirem suas metas de emissão terão que comprar "créditos" de países ou indústrias que tenham conseguido reduzir suas emissões, reduções essas também medidas em Créditos de Carbono!

Quem quiser vender os tais créditos de carbono precisam ter seus projetos aprovados pela ONU. O Brasil é o terceiro país com mais projetos aprovados pela ONU. Em segundo e primeiro lugares, respectivamente, estão Índia e China. Ressalto que este é um mercado que prevê movimentar bilhões de doláres todo ano.
De onde os brasileiros tão tirando tanta poluição, eu não sei, afinal os maiores poluidores são ELES (os desenvolvidos). Eu só sei que esta história toda me deixa encucado (tanto quanto os sabonetes SENADOR). Tudo que vira mercadoria, preocupa, e muito.

E já tem bronca por aí. A prefeitura de São Paulo está querendo leiloar créditos de carbono gerados a partir do que será reduzido em seus aterros. E qual o esquema? Nestes aterros é grande a produção de metano. E o metano é 21 vezes mais poluente que o CO2. Daí, ao queimar o metano e liberar CO2, muitos créditos são gerados. O nó é: já existem notícias que tal prefeitura está querendo aumentar os seus aterros para que gerem mais metano! Um absurdo, analisando que o lixo urbano deveria ser tratado numa outra perspectiva.

Bom, é esperar para ver novas aberrações! E eu continuo com a pulga atrás da orelha com isso tudo. Com certeza mais problemas aparecerão!

Abraço

19 setembro, 2007

Uma pergunta...

Uma pergunta que martela minha cabeça nas horas vagas:


Será que as vendas deste produto aumentaram ou diminuiram??

05 setembro, 2007

TOP 5

Queria compartilhar o TOP 5 dos CDs que tenho escutado. Na realidade, tenho escutado muita música. E periodicamente vou tentar atualizar esta lista por aqui. Como adoro conhecer e estudar música, quem tiver sugestões boas, deixa ai nos comentários. Ahh. E fora isso, eu tenho um acervo com milhares de músicas. Em breve disponibilizo tudo que tenho para quem quiser selecionar e pedir pra eu gravar

Bom, ai segue o TOP 5. Ressalto que não está necessariamente numa ordem crescente ou decrescente. E outra coisa: não sou nenhum crítico musical, portanto as breves descrições são uma humilde tentativa de expor o que penso, apenas.

1 - Eles não EnÊ - Negroove
- CD de estréia da galera. Música muito legal. Mistura massa de samba, soul e funk. Além de irreverência que é uma marca legal da banda de Jr. Black

2 - Samba Esquema Noisa - Mundo Livre
- DIsputa pra mim o lugar de melhor cd da banda com "O outro mundo de manoela rosário". Um é melhor pela sonoridade, o outro pelo conteúdo político.

3 - Tim Maia - 1971 - Tim Maia
- Gravado antes de sua fase "Racional" em que seguia os preceitos da "Cultura Racional". De qualquer maneira, é um som que se destaca pela batida e por ser um dos primeiros a gravar o soul no Brasil.

4 - 50 Anos de Breque - Moreira da Silva
- Sempre falo do meu interesse e quanto gosto do samba. E uma das vertentes do samba que mais me agrada é o chamado samba de breque. Depois de ter perdido o show em janeiro lá no Rio, recentemente rolou "Samba de Breque e outras bossas" aqui em em Recife, com Pedro Luis, Roberta Sá e o Grande Jards Macalé. Pra todos os efeitos, o samba de breque terá uma postagem especial em breve.

5 - Sr. Samba - 1961 - Ciro Monteiro
Uma das maiores vozes da música brasileira. Pra Vinicius de Morais, o melhor!

Enchi o saco. Vou mudar a proposta.

Eu meio que enchi o saco da forma como vinha postando no blog. Somado a isso recebi um scrap (coisa de orkut) bem construtivo do meu companheiro de damuc, fred, que dizia simplesmente "teu blog é uma merda". hahahaha. Pois bem.

Enquanto isso...

25 agosto, 2007

Fausto Wolff

Atualização (06/09/08) - Postagem "Morre Fausto Wolff"

Deixo para vocês um texto do, disparado, meu escritor favorito. Quem me conhece um pouco mais sabe o quanto já falei do velho lobo. O conheci através da leitura sistemática que fazia do Pasquim21. Que, aliás, tive a oportunidade de ter todas as edições de uma curta vida de cento e poucas edições. Todas elas estão muito bem guardadas. Não faz tanto tempo assim, mas foi uma leitura que contribuiu sobremaneira com a minha formação como militante.

Atualmente o velho Fausto escreve para o JB do Rio.
(Iria disponibilizar para link, o sitio do Fausto, mas agora tá dando erro. Deixo a indicação para uma próxima vez)

Abraços. E boa leitura!
PS: Estou em final de período na Universidade, daí a pouca dedicação à estruturação de postagens mais elaboradas. Assim que entrar de férias, dedico um pouco mais do meu tempo.

imagem copiada do ótimo http://www.fazendomedia.com

Os mortos anônimos

Enquanto Cabral discutia com Joban sobre a possibilidade de tropas federais policiarem o Rio permanentemente, recebi a última carta de leitor do dia. Massageou o meu ego (por ordem médica, não sai de casa nem recebe visitas), dizendo que minha coluna lhe dá a sensação de que alguém está fazendo alguma coisa. Pediu que escondesse sua identidade e endereço e que se isso fosse ferir os meus princípios, não publicasse nada. Como o leitor me mandou o número de seu telefone, não tive dificuldades em descobrir que ele existe mesmo.

Ele mora com a companheira num dos muitos acessos para a favela ###, cujo nome não publico, pois o leitor correria risco de vida. Há muitos furos de balas nas paredes de sua casa e, quando é dia de tiroteio, o casal dorme no chão do quarto dos fundos. Eles sabem de antemão o que vai acontecer porque, minutos antes, os bandidos se exibem com motos e carros roubados. Os garotos que são seguranças param na última barreira de trilhos verticais antes do asfalto. É quando chega o chefe da vez, sempre com grossos colares e pulseiras de ouro. A guerra começa assim que um olheiro informa ao chefe a rua pela qual os policiais estão subindo.

Os moradores têm medo dos bandidos, mas têm mais medo da polícia, que invade casas e barraco a qualquer hora do dia, dando tiros a esmo. Os bandidos também pouco se importam se matam uma pessoa inocente que nada tem a ver com esse ritual de confronto. Eis o que dizem os moradores: "A polícia não quer acabar com os bandidos porque também lucra com o tráfico".

Duas semanas atrás, numa sexta-feira, o caveirão teria aparecido na favela para receber o "seu" e não atrapalhar o baile funk. Deram alguns tiros para o ar, a fim de mostrar serviço, se exibir e amedrontar os moradores, e foram embora. Poucos minutos depois chegaram os ônibus lotados de passageiros de outros morros. Alguns mais graduados receberam drogas, a título promocional.

Segundo dizem, os ônibus são cedidos em troca de favores sexuais de algumas mulheres para os donos das frotas. A polícia, por sua vez, não inibe sua subida e assim colabora com a capitalização do tráfico, a compra de mais cocaína, maconha e armas, naturalmente. A coisa piora nas operações maiores da Força Nacional. Quando isso acontece, basta ver a expressão nos rostos dos adultos e, principalmente, das crianças, para entender o que é terror.

O resultado disso tudo - diz o leitor - é que o tráfico está onde sempre esteve. A presença da Força Nacional fez com que os bandidos acalmassem um pouco, mas continuam tendo, como sempre, total controle sobre o território. Nos acessos para o morro ficam, de dia, os soldados da Força Nacional e, à noite, os da Polícia Militar, os irmãos pobres.

Revistas ocorrem de vez em quando, mas há sempre um soldado para informar antecipadamente os bandidos, e as operações geralmente não têm sucesso. Sucesso têm as balas perdidas. A verdade é que existem tantos acessos não vigiados que quem quer levar armas ou drogas para dentro da favela jamais será incomodado.

Diz o meu leitor que, no penúltimo sábado, os policiais desconfiaram de um motoqueiro que podia ou não estar transportando muamba. Ele resolveu fazer o que todo mundo faz quando é chamado pela polícia: fugiu. O caveirão desceu com os soldados atirando a esmo. Quando o carro blindado teve de parar na barreira para deslocar o trilho que impede o trânsito, o motoqueiro, inocente ou culpado, conseguiu escapar. Quem não escapou foi uma dona-de-casa, dona Sandra, que abriu a porta da sua moradia (Rua Canitar, 585, em Inhaúma, e estou colocando o endereço com a permissão do leitor) no momento errado e recebeu um tiro de fuzil no peito.

Não, leitor, não saiu nenhuma nota na imprensa, o que reforça a sensação de que ninguém liga para quem mora no morro. Quando acontece um acidente aéreo, temos a oportunidade de ver o descaso para com o ser humano. Este descaso está presente nas favelas do Rio diariamente, onde se produzem cadáveres anônimos que nem entram nas estatísticas oficiais.

Especificamente, a polícia matou dona Sandra. Continuou a perseguir a moto, mas foi parada por uma parede de concreto atrás da qual estavam os bandidos, que revidaram com suas armas. O caveirão, com os vidros da frente estilhaçados, teve de dar marcha à ré, ocasião em que foi obrigado a levar dona Sandra, que sangrava muito, para o hospital. Ela morreu no mesmo dia.

O leitor termina sua carta dizendo que não tem nenhuma simpatia por bandidos, mas que vê o soldado da polícia e o soldado do tráfico como peças de um mesmo jogo de xadrez: os chefes de ambos os lados, egos inflados, lutando pelo poder.

Acabei de ler a carta do leitor ### e fiquei com medo de pensar no futuro.

Escreva para o Fausto: faustowolff@terra.com.br