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08 junho, 2007

"Quem não reage rasteja" (2)

Recebi de meu tio, Lula Wanderley, artista plástico e psiquiatra, um texto do seu amigo Edmar Oliveira, também psiquiatra, sobre o Baixio das Bestas de Cláudio Assis.

Saudades de tio lula e tia gina. Abraços pro Edmar também!

Nesta postagem também um vídeo do Cláudio Assis apresentando o filme num festival em Aracaju. O cara é foda mesmo! O Cláudio é um daqueles caras classicamente classificados pela sociedade de "louco". Viva o cinema de Cláudio Assis!

Abaixo o texto de Edmar e, seguindo, o vídeo com o Cláudio Assis. Abraços!

CINEMA AMARELO
Edmar Oliveira

Sabe aquele filme que a gente acaba de ver e não sabe se é bom ou ruim? O Baixio das Bestas é um desses. Só que, diferente dos outros, você sai do Baixio e fica besta como o filme vai ficando bom em crescente. Cláudio Assis já tinha mostrado seu talento em Amarelo Manga. E Amarelo é tão bom cinema que a gente fica com medo do Cláudio não fazer coisa melhor e ficar, como muitos cineastas, preso ao filme de estréia. Não é o caso. O Baixio é um cinema amarelo de verdade.

A partir de um poema de Ascenso Ferreira sobre a usina de cana nordestina moer aquela gente sem destino, o filme entra no cotidiano da pobreza, da prostituição, do folclore do maracatu, na vida vazia dos agroboys da burguesia rural pernambucana. O problema do filme é que Cláudio Assis elimina o simbólico e nos deparamos com o real de maneira muito intensa, principalmente se o espectador é nordestino como sou. Aí a gente entra na tela como naquele filme do Woody Allen. E nos impacta a constatação do personagem de Matheus Nachtergaele de que “bom é cinema onde a gente pode fazer o que quiser”, pois na realidade a gente, quase sempre, não pode interferir. E o real acontece ali na tela e dentro de nós. A impotência de se deixar atravessar pelos acontecimentos sem poder mudar o rumo de nada. A crueza do ser humano onde não há mocinhos e bandidos, mas somos todos a mistura da mesma merda que vai tombar no mesmo esgoto. E como único fato simbólico do filme, uma fossa é construída durante toda a fita tanto para ser a tumba do personagem Heitor ou de qualquer um de nós. O resto é o real acontecendo sem que haja qualquer sentido que possamos perceber. Porque, geralmente, a vida é assim. E Cláudio faz um cinema do povo que existe neste país. Chega, é muita porrada...

Só quando entra o letreiro com os créditos, acompanhados por uma bela melodia na voz de Siba, do Mestre Ambrósio, é que você percebe que era um filme e que acabou. Mas aí vem aquela sensação provocada pelo poeta, que volta a incomodar de forma recorrente: a merda toda continua acontecendo no mundo lá fora, o que se assistiu foi um trailer da vida como ela é, de Cláudio Assis reafirmando Nelson Rodrigues...

Humor global

Segunda postagem com tirinha do Nicholas Gurewitch, do sítio http://pbfcomics.com


E, abaixo, mais uma do Rafael Sica. Muito boa esta.Deixa eu ir embora que ainda vou no médico ver o que danado tem no meu ouvido e depois sigo pro Congresso Nordestino de Educação médica.

Abraços!

06 junho, 2007

A pimentinha

Às vezes, quando não se tem o que dizer ou não se sabe o que falar, costuma-se soltar um singelo "sem comentários". Ninguém está imune a isso.

Mas tem certas coisas que, de fato, não necessitam ABSOLUTAMENTE de comentário algum. O vídeo abaixo é um desses:


Beijos!

04 junho, 2007

Poetas Marginais do Recife

Vinha pensando numa postagem sobre a poesia marginal de Recife. Não só para divulgar, mas para conhecer um pouco mais a fundo.

Mas o fato é que encontrei um texto muito bom sobre o assunto, de Urariano Mota:
http://www.lainsignia.org/2007/junio/cul_005.htm
Segue um trecho:

"A poesia marginal de Pernambuco é um oceano que a imprensa não vê. Imaginem o tamanho da cegueira. São, por baixo, mais de 50 poetas, das mais ricas tendências, que se apresentam nos palcos, em shows, em recitais. Eles se fazem notar mais pela palavra falada que pela escrita. A razão é simples, se perdoam a pobreza do adjetivo. Os seus poemas estão em edições pequenas, de tiragens pequenas, de circulação pequena, a preço de duas cervejas. Daí o vulgo e a vulgar compreensão concluem que são poetas pequenos."

Recomendo muita esta leitura.

Termino esta indicação com a seguinte tirada de Valmir Jordão:
"Coca para os ricos / cola para os pobres / Coca-cola é isso aí!"

É isso aí!

beijos

03 junho, 2007

Farândola e 3º Cerveja e Chico

Meio que de repente marcamos de comemorar o aniversario de Gaby hoje no Farândola. Digo hoje porque acabei de chegar de lá.

O Farândola é um bar aqui em Olinda, que já há algum tempo tínhamos adotado para ir sempre. Nunca mais tinha ido com o pessoal da Ciranda.
E foi muito legal poder estar neste momento com queridas companheiras e queridos companheiros. Novos e Antigos. Senti saudades de um tempo que não faz muito tempo. Foi há pouco. Mas nunca mais tinha ido...

Espero continuar junto de muitas dessas pessoas. E olhe que lá faltaram muitos dos que sempre estiveram. Quero também esses por perto.

De quebra ainda encontramos por lá Tati, Jéssica e Maísa (ou Maysa?) :D

E por fim, quero anunciar que em breve estaremos realizando o 3º Cerveja e Chico! Das outras vezes optamos por não fazer uma grande divulgação. Mas as cobranças são cada vez maiores! Então, fica dito!

Abaixo, para não ficar sem música, Chico Buarque cantando Feijoada Completa. Só para dar o gostinho. Beijos!

30 maio, 2007

Sport - Campeão Brasileiro da 1ª Divisão de 1987!

Há muito queria escrever sobre isso. Mas acho que não havia momento melhor que esse. Por quê? Porque no próximo domingo o Sport enfrenta o Flamengo pela Série A do campeonato brasileiro. Vinte anos após conquistarmos o título.

Para quem não conhece a polêmica, aqui vai um explicação bem clara e sucinta:
1 - Naquele ano o Clube dos 13 decide fazer um campeonato à parte, por um acordo com a TV e com os patrocinadores. Daí, inclusive, o nome: Copa União, numa alusão a marca de Açúcar União.

2 - Os outros clubes, com muita razão, não aceitam isso e exigem um campeonato brasileiro organizado pela CBF, como seria o mais correto.

3 - A CBF, então, para não desagradar a já grade máfia do futebol propõe o seguinte: que o campeonato seja realizado em dois módulos, ou seja, dois grupos e, ao final, haveria um quadrangular final entre os primeiro colocados de cada grupo. Vale ressaltar que este acordo foi assinado por todos e regulamentado pela CBF!

4 - Desta forma, saem Flamengo e Internacional como primeiro colocados do módulo verdade, a denominada por eles mesmo de Copa União. E Sport e Guarani, como primeiro colocados do módulo amarelo.

5 - Neste momento, Flamengo e Internacional se recusam a disputar este quadrangular, restando ao Sport e Guarani decidirem o título. Resultado final: SPORT CAMPEÃO BRASILEIRO DA 1ª DIVISÃO DE 1987.

Bom, depois de bem explicadinho, caso ainda reste dúvida informo: consta no sítio da CBF que o título é do Sport. Além disso, o Sport e Guarani também disputaram a Libertadores no ano seguinte.

Abaixo, alguns vídeos que retratam o momento histórico:


Reportagem com melhores momentos da vitória contra o Guarani que garantiu o título para a Ilha do Retiro


Reportagem do SBT (o repórter era o Kajuru) ao final do jogo, no momento em que a CBF entrega taça para ser levantada


Homero Lacerda, na época Presidente do Sport, num programa de TV junto com Márcio Braga, na época presidente do flamengo.

Deu pra entender agora, grande Juca Kfouri??

Postagem em homenagem a Rodolfo!

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Ahhhhhh. Aproveitando o tema de futebol. Um amigo, Alexandre Bob, sugeriu o Prêmio Cicarelli para Magrão do Sport, por ter levado o "milésimo" gol de Romário. HAHAHAHAHA. Poderia até ser, mas como o Sport perdeu e esses mil gols de Romário, na verdade, não são de verdade, então o prêmio não vai para ele, tá, Bob?

Não entendeu a polêmica?
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Abraços!