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| É preciso entender a fundo a crise do capital |
Na semana passada fizemos um estudo da conjuntura a partir
de uma análise de conjuntura elaborada pelo DIEESE – Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos - que ficou muito interessante.
De uma maneira em geral, ela faz um apontamento no mesmo
sentido que vários economistas têm feito: caminhamos para um cenário de forte crise
na economia mundial. E se em 2008, quando os impactos começaram se tornar mais
evidentes, foi possível, através de medidas anticíclicas, deixar o Brasil um
tanto imune, desta vez o quadro parece sinalizar para um desfecho bem mais
delicado.
Para um maior detalhamento, sugiro fortemente a leitura da
análise na íntegra através deste link.
Mas dois pontos me saltaram à vista e gostaria de comentar
brevemente por aqui:
1) O primeiro deles é o forte processo de desnacionalização em
curso no Brasil. Uma pesquisa mostra que só no primeiro semestre de 2012, 167
empresas de capital nacional foram adquiridas por corporações estrangeiras. A maior parte (71 empresas nacionais) por
transnacionais com sede nos EUA, vindo em seguida corporações da França,
Inglaterra e Alemanha. E as empresas adquiridas pelo capital estrangeiro estão
nos mais diversos setores, destacando-se empresas de serviços para empresas,
tecnologia da informação e produtos químicos e farmacêuticos. Nada
estratégicos, hein?
2) O segundo tem a ver também com os recursos levantados por estes
antigos empresários nacionais: O Brasil é o quarto país com maior volume de
recursos depositados no exterior. Só em 2010, nada menos que US$ 520 bilhões,
mais de 1 trilhão de reais, estavam depositados pelos ricos em paraísos
fiscais. Este valor, para se ter uma idéia, representa cerca de 30% do PIB
registrado em 2010 e é muito maior que a dívida externa brasileira, totalizada
em US$ bilhões. Tal quantia depositada no exterior só perde para a grana dos
chineses, dos russos e dos coreanos.
Estes dados podem ser encontrados no relatório The Price
of offshore revisited, da ONG inglesa Tax Justice Network, segundo o texto do
DIEESE.
No texto completo é possível ter muitas informações e, como
já citei, vale a pena gastar um tempinho nesta leitura e análise.
